
Uma das especialidades oferecidas no centro é a musicoterapia
Edição Scriptum com Prefeitura do Rio
Um dos principais problemas de saúde do Brasil, o tratamento de pessoas com autismo tem agora, no Rio de Janeiro, um centro especializado, voltado ao atendimento de pessoas de zero a 18 anos. A unidade receberá pacientes com suspeita ou confirmação de transtorno do espectro autista e fará atendimentos de reabilitação.
A nova unidade, o primeiro Centro de Estímulo ao Desenvolvimento no Transtorno do Espectro Autista (TEA) da capital fluminense, foi inaugurada na quarta-feira (31) pelo prefeito Eduardo Paes (PSD), segundo quem o local também vai dar apoio aos familiares dos pacientes. “As famílias terão aqui todo o suporte necessário para entender melhor como lidar com o autismo, e os pacientes vão receber todo o tratamento necessário para que possam ter uma vida melhor”, afirmou Paes.
O novo serviço propõe um projeto terapêutico individualizado e multiprofissional para cada paciente, com oferta de especialidades como fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e musicoterapia. A unidade terá capacidade de realizar até 150 atendimentos por semana, sendo destinado a pacientes previamente rastreados na rede de Atenção Primária.
A Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) publicou em janeiro uma pesquisa mostrando que em 2023 o custo com os tratamentos com autismo superou o custo com o câncer, historicamente o principal custo dos planos de saúde. Segundo esse estudo, os tratamentos com autismo e outros transtornos globais de desenvolvimento responderam por 9% dos custos médicos, em comparação a 8,7% do câncer.
Novo Centro
Com uma ambientação lúdica e acolhedora, o Centro de Estímulo ao Desenvolvimento no Transtorno do Espectro Autista conta com uma sala sensorial com diversos equipamentos, incluindo uma tirolesa e parede de escalada. A unidade também tem uma sala de interação coletiva para atividades em grupo com jogos para estimular a comunicação, a fala e a interação social, além de consultórios multiprofissionais para consultas individuais.
“O Instituto Oscar Clark é a principal unidade de reabilitação do município do Rio. Esse prédio tem 50 anos e faz parte da história da reabilitação na cidade, mas não havia um espaço dedicado ao tratamento do transtorno do espectro autista. O cuidado, o desenvolvimento e também os estímulos para o transtorno são muito importantes, fazem muita diferença. O centro é um espaço para acolher as famílias para que possamos realizar o tratamento. Essa é a nossa primeira unidade e esperamos ampliar nossa rede de atendimento para, de fato, fazer um cuidado que é fundamental para essas famílias “, disse o secretário de Saúde do Rio, Daniel Soranz.
O centro também conta com um ambiente confortável, projetado para garantir a possibilidade de a criança se recompor em quadros de agitação, chamado sala do “aconchego”, onde há poucos estímulos. A unidade também dispõe de brinquedos terapêuticos e instrumentos musicais que estimulam o desenvolvimento infantil.
Para ter acesso ao serviço, o usuário deve ser avaliado numa clínica da família ou centro municipal de saúde, onde passará por testes diagnósticos recomendados para o seu quadro. Caso receba indicação para o serviço especializado, o paciente será encaminhado pelo Sistema de Regulação (SISREG).
Até dezembro, o Rio terá novos espaços espalhados pela cidade. Além do atendimento às pessoas com autismo, a unidade também fará a capacitação de agentes e profissionais de saúde da Atenção Primária para o acolhimento especializado dos pacientes.