
O prefeito Eduardo Paes no lançamento da cátedra com intelectuais negros: iniciativa é um marco na história do Brasil.
Edição Scriptum com Prefeitura do Rio
Primeira dedicada integralmente a intelectuais negros no país, a Cátedra Pequena África foi lançada pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, na quarta-feira (20), em evento que teve a presença do prefeito Eduardo Paes (PSD). Essa iniciativa da FGV, com o apoio da Prefeitura do Rio, visa dar visibilidade e aprofundamento aos estudos das produções teóricas de intelectuais negros, valorizando a pluralidade dos saberes.
O lançamento foi realizado na Casa Escrevivência, no bairro da Saúde. “Pequena África” é o apelido dado pelo sambista Heitor dos Prazeres (1898-1966) à área abrangida pelos bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo, na zona portuária do Rio de Janeiro.
Eduardo Paes destacou a importância de manter viva a história da Pequena África, lembrando que a maioria dos africanos escravizados chegou ao Brasil por essa região. Ele enfatizou o compromisso do Rio em se tornar uma cidade antirracista e elogiou a iniciativa da cátedra como um marco na história do Brasil.
O evento contou com a participação das catedráticas Inaicyra Falcão, professora e cantora lírica, e Leda Maria Martins, poetisa, recebidas pela professora e escritora Conceição Evaristo, integrante do comitê de seleção da Cátedra. A artista plástica Rosana Paulino, também catedrática, não pôde comparecer à cerimônia devido a uma exposição na Argentina. Após o lançamento, houve uma caminhada até a Pedra do Sal, marco da cultura afro-brasileira na região portuária.
Conceição Evaristo ressaltou a importância desse espaço de memória, considerado sagrado, para conscientizar os brasileiros sobre a relevância da comunidade negra na formação da identidade nacional.
Cursos Livres
Ao longo do primeiro ano, a Cátedra Pequena África oferecerá cursos livres, palestras e seminários sobre temas sociais, culturais e acadêmicos em unidades da FGV em todo o país. O projeto também instituiu um Comitê Consultivo composto por oito intelectuais reconhecidos em suas áreas de atuação, como arte, justiça, educação e cultura, destacando-se figuras como Ayrson Heráclito, Benedito Gonçalves, Jurema Werneck e Sonia Guimarães.
Além disso, o Cais do Valongo, local de grande importância histórica para a comunidade afro-brasileira, foi reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2017. A área passou por obras de valorização, incluindo a instalação de novo guarda-corpo, iluminação cênica e exposições que contam sua história e sua relação com a Pequena África. O local faz parte do Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, junto com outros marcos culturais na região portuária do Rio de Janeiro.