
A ideia de Mara Gabrilli é que a ONU se espelhe na reforma realizada no Senado Federal, que passou por ampla transformação.
Edição Scriptum com site maragabrilli.com.br
Reeleita em junho para a o Comitê da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), que é tetraplégica, vem articulando para implantar acessibilidade nas sessões do Sistema ONU, o que inclui o acesso ao púlpito da Assembleia Geral, onde cadeirantes só podem discursar do chão.
A ideia de Gabrilli é que a Organização das Nações Unidas se espelhe na reforma realizada no Senado Federal, que após sua eleição passou por uma ampla transformação. Hoje, a Casa conta com acessibilidade tanto nas salas de comissão quanto no Plenário, processo semelhante ao ocorrido na Câmara quando a senadora, que é tetraplégica, era deputada federal. “Levamos marreta por onde passamos e hoje o Congresso está acessível para todo e qualquer cidadão com deficiência. Nada mais justo levarmos esse exemplo à ONU, a incubadora dos direitos humanos no mundo”, afirmou Mara.
As mudanças realizadas no Senado brasileiro foram apresentadas ao Chefe de Engenharia da Sede das Nações Unidas, em Nova York, Claudio Santangelo. Na ocasião, profissionais da área técnica do Senado Federal mostraram a engenharia estrutural do Palácio do Congresso Nacional projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, entre 1957 e 1960, bem como apresentaram todos os estudos e trabalhos realizados pela equipe da SINFRA desde 2006 para tornar o Plenário do Senado Federal acessível.
Desde a primeira proposta apresentada em 2006 pelo escritório de Oscar Niemeyer, até a entrega do Plenário acessível, em 2019, primeiro ano de mandato da senadora Mara Gabrilli, foram realizados estudos e diversos testes até garantir plena acessibilidade com o mínimo de intervenção possível, garantindo a preservação da originalidade do edifício tombado pela Unesco.
Para Santangelo, a apresentação abrirá a mente dos arquitetos da ONU para novas possibilidades e soluções de acessibilidade. Segundo ele, as novas modificações de acessibilidade na ONU ficarão prontas nas próximas semanas.
Primeiras movimentações
O primeiro contato com a administração responsável pelo prédio da sede da ONU aconteceu em junho durante a 17ª COSP (Conferência dos Estados Partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência). Na oportunidade, a delegação brasileira encaminhou um ofício à Secretaria-Geral das Nações Unidas apontando a falta de acessibilidade para cadeirantes proferirem os seus discursos do púlpito. Desde então, as equipes da senadora Mara Gabrilli, do Senado e da ONU realizaram reuniões para tratar o assunto.
“Nas reuniões que realizei durante o meu processo eleitoral, em Nova Iorque, conversei com diplomatas de 76 países a respeito da importância de trabalhar por essa acessibilidade plena na ONU. Nesse sentido, o Brasil tem muito a agregar. Nós já superamos dois desafios, que foram acessibilizar Câmara e Senado Federal. Além disso, é muito simbólico o fato do prédio da ONU em Nova Iorque, sua Assembleia Geral e o Palácio do nosso Congresso Nacional terem sido projetados pelo mesmo arquiteto: Oscar Niemeyer”, enfatizou a senadora.