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Aprovado projeto que regulamenta a profissão de gari

Comissão de Assuntos Sociais aprovou relatório favorável do senador Lucas Barreto (PSD-AP). “São muito importantes para a sociedade, a maioria trabalha enquanto estamos dormindo e essas pessoas precisam de dignidade”

05 de jul de 2022

O senador Lucas Barreto

Redação Scriptum com Agência Senado

Com parecer favorável do senador Lucas Barreto (PSD-AP), a Comissão de Assuntos Sociais do Senado – presidida pelo senador Sérgio Petecão (PSD-AC) – aprovou na terça-feira (5) o projeto que regulamenta a profissão de gari e estabelece piso salarial de R$ 1.850 mensais para a categoria. O texto considera, como “agentes de coleta de resíduos, de limpeza e de conservação de áreas públicas”, os trabalhadores que recolham, por meios manuais ou mecânicos, resíduos sólidos domiciliares; resíduos de limpeza urbana, originários de varrição, limpeza de vias públicas e de outros serviços de limpeza urbana; e resíduos originários de estabelecimentos comerciais e de prestadores de serviços.

O senador Lucas Barreto retirou dessa definição a coleta de resíduos industriais e de serviços de saúde, adequando o texto à Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305, de 2010), que classifica os tipos também em relação à periculosidade. Para ele, pela complexidade e por representarem significativo risco à saúde pública e a dos trabalhadores, a atividade de coleta de resíduos sólidos perigosos originados de atividades industriais e de serviços de saúde deve ser debatida em outra oportunidade.

Lucas Barreto também modificou as exigências para que os trabalhadores exerçam a atividade. O texto original previa que os futuros profissionais tivessem ensino fundamental concluído e curso de formação oferecido por entidade credenciada. Mas, para o relator, essas exigências poderiam impedir a entrada no mercado de trabalho de milhares de pessoas “que precisam de renda para o sustento de suas famílias”.

Por isso, ele estabeleceu como única condição a conclusão do 4º ano do ensino fundamental, garantindo conhecimentos básicos de leitura e cálculo, ou a conclusão de treinamento específico ministrado pelo empregador. Aos que já trabalhem como gari na data de publicação da lei, o projeto garante o direito de continuar na área.

Jornada e salário

A duração da jornada de trabalho dos garis não poderá ser superior a 6 horas diárias e 36 horas semanais, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo. Já o piso salarial será de R$ 1.850 mensais, a ser reajustado anualmente em janeiro segundo índice definido em convenção ou acordo coletivo ou pela variação integral do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E). O texto original previa piso salarial de R$ 1.500 e correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Ao trabalhador que for exposto a agentes nocivos à saúde, deverá ser pago adicional de 10%, 20% ou 40% do salário, sem acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participações nos lucros, conforme se classifiquem nos graus mínimo, médio e máximo de exposição.

Autor do projeto, Paulo Paim (PT-RS) agradeceu pelas alterações promovidas por Lucas Barreto e destacou que o piso já estava defasado, uma vez que o projeto foi apresentado em 2019. “O projeto atende tanto o gari, que é o homem, quanto a margarida, que é a mulher, que nos ajudam muito no combate, inclusive das pandemias”, disse Paim.

Lucas Barreto elogiou a iniciativa de Paim, o trabalho das assessorias de ambos os senadores e reforçou a importância desses profissionais. “Nossos garis e nossas margaridas, tanto quanto os enfermeiros, são muito importantes para a sociedade. A maioria trabalha à noite enquanto estamos dormindo […] Essas pessoas precisam de dignidade”, assinalou.

O projeto segue agora para a Câmara dos Deputados, caso não haja recurso para votação em Plenário.

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