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MUNICÍPIOS

Guarulhos (SP) cobra governo federal sobre refugiados afegãos

Prefeito Guti (PSD) quer parceria com União e Estado para adoção de política permanente de atendimento a imigrantes que chegam a Cumbica

15 de jun de 2023

O prefeito Guti: “Apesar de todos os esforços, continuamos sofrendo com a falta de recursos”

Redação Scriptum com Prefeitura de Guarulhos

O prefeito de Guarulhos, Gustavo Henric Costa (PSD), o Guti, encaminhou nesta terça-feira (13) mais um ofício para o Ministério de Portos e Aeroportos em que solicita apoio para a demanda criada pela chegada dos refugiados afegãos ao aeroporto do município da Grande São Paulo. O documento reforça o pedido de reconhecimento da cidade como fronteira do Brasil. Além disso, pede que o governo federal assuma as ações de interiorização dos afegãos no País e forneça apoio financeiro para a alimentação daqueles que permanecem no aeroporto aguardando acolhimento.

Outros órgãos, como os ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania, do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, da Justiça e Segurança Pública, a Casa Civil e a Organização das Nações Unidas, receberam o ofício.

O número de afegãos no Terminal 2 do aeroporto voltou a subir nas últimas semanas. Atualmente, há 141 pessoas, incluindo famílias com crianças, idosos e pessoas com comorbidades. “Guarulhos segue trabalhando no atendimento e acolhimento a esse público. Mas, apesar de todos os esforços, continuamos sofrendo com a falta de recursos”, afirma Guti. Ainda segundo o prefeito, o orçamento da cidade está desequilibrado desde o início da crise, já que o atendimento a cerca de 3,5 mil pessoas no aeroporto, entre janeiro de 2022 e maio de 2023, não estava previsto no orçamento municipal. “São demandas nos setores de saúde pública, moradia, assistência social e educação que não haviam sido inicialmente planejadas e estão sendo motivo de preocupação.”

O documento enviado pelo prefeito ao Ministério de Portos e Aeroportos menciona as barreiras culturais, a higiene precária e o fato de que as famílias estão abrigadas de maneira improvisada em espaço público. A aglomeração por um longo período representa risco de disseminação de doenças, principalmente as respiratórias. A prefeitura já aplicou aproximadamente duas mil vacinas naqueles que passaram pelo acampamento, além de ter realizado 120 consultas médicas solicitadas pelas equipes de apoio. “Guarulhos foi completamente surpreendida com a chegada dessa população, mas trabalhamos com o que tínhamos à disposição e com as instituições parceiras. Desde então, a cidade passou a contar com 177 vagas de acolhimento para imigrantes, sendo 127 geridas pela municipalidade e outras 50 pelo governo estadual. Diante da atual situação, as nossas residências já estão lotadas e não há mais vagas para encaminhamento dos que estão no Terminal 2 neste momento”, explica o secretário municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, Fábio Cavalcante.

Política permanente

Em fevereiro deste ano, o prefeito protocolou, no Ministério de Portos e Aeroportos, o primeiro pedido para que a cidade seja reconhecida como fronteira aérea do País. A solicitação visa a facilitar o recebimento de recursos para o atendimento de imigrantes e refugiados, já que o Aeroporto de Guarulhos tem um dos tráfegos de passageiros mais intensos da América Latina. Guti defende que, na condição de fronteira, a cidade poderá desenvolver com o Estado e a União uma política permanente de recepção a imigrantes.

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