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HOMENAGEM

Lei reconhece Dorina Nowill como heroína da Pátria

Educadora teve seu nome incluído no 'Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria' após sanção presidencial a projeto de lei apresentado no Senado pela senadora Mara Gabrilli (PSD-SP)

08 de jan de 2024

Dorina Nowill se destacou por sua luta pela inclusão social e pela acessibilidade das pessoas com deficiência. 

Edição Scriptum com Agência Senado

Projeto proposto pela senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) e aprovado pelo Senado foi sancionado pela Presidência da República, incluindo o nome da ativista da luta pela acessibilidade para as pessoas com deficiência, a educadora cega Dorina Nowill, no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A Lei 14.796, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi publicada no Diário Oficial da União de segunda-feira (8).

Para a senadora Mara Gabrilli, a homenagem é um reconhecimento da importância da atuação de Dorina em prol da inclusão social e da acessibilidade. “Por sua história de luta em prol da pessoa com deficiência no Brasil, Dorina Nowill contribuiu, com dedicação e heroísmo, para a defesa e construção de nossa Pátria”, defendeu Mara na justificativa do projeto.

História de vida

Dorina de Gouvêa Nowill nasceu em São Paulo, em 28 de maio de 1919. Aos 17 anos, ficou cega, vítima de uma doença não diagnosticada. Até a morte, aos 91 anos (em 29 de agosto de 2010, vítima de uma parada cardíaca), ela se destacou por sua luta pela inclusão social e pela acessibilidade das pessoas com deficiência.

Mesmo após a perda da visão, e apesar de todas as limitações do ensino na época, Dorina ingressou no chamado curso regular (que preparava professores) da Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo, em 1943, tendo sido a primeira estudante cega a frequentar um curso regular no país.

Em 1946, ela foi aos Estados Unidos para se especializar em educação para cegos na Universidade de Columbia. Dorina recebeu da Kellogg Foundation e da American Foundation for Overseas Blind uma prensa de braile completa para dar início ao seu projeto mais conhecido: a Fundação para o Livro do Cego no Brasil — que em 1991 passou a se chamar Fundação Dorina Nowill. Desde então, essa organização sem fins lucrativos foi responsável pela produção de mais de 6 mil livros adaptados, 2,7 mil audiolivros e 900 títulos digitais.

Em 1981, Dorina discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas, abordando a transferência da tecnologia de países desenvolvidos para os territórios em desenvolvimento. Além disso, a educadora defendeu a criação da Década da Pessoa com Deficiência.

Luta pela educação 

Percebendo as dificuldades no ensino para pessoas com deficiência visual, Dorina desenvolveu um método de educação de crianças cegas, projeto que teve a aprovação do Departamento de Educação do Estado de São Paulo e abriu caminho para a implementação do 1º Curso de Especialização de Educação de Cegos na América Latina.

Dorina foi responsável pela Campanha Nacional de Educação de Cegos do Ministério da Educação (MEC), criando serviços de educação em todo o país. Ela lutou pela inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho e teve sucesso ao promover a discussão da Recomendação 99 sobre reabilitação profissional na Conferência da OIT. O governo brasileiro, empresários e trabalhadores votaram a favor da aprovação da Convenção 159 e Recomendação 168, que exigia programas de reabilitação, treinamento e emprego para pessoas com deficiência.

Dorina também foi presidente do Conselho Mundial para o Bem-Estar dos Cegos, hoje conhecido como União Mundial de Cegos, e recebeu diversos prêmios e medalhas ao longo de mais de seis décadas de trabalho na Fundação Dorina.

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