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SAÚDE

Líder do PSD quer reforçar o combate à tuberculose

O deputado Antonio Brito (PSD-BA) defende a necessidade de aumentar o orçamento para enfrentar a doença que atingiu mais de 81 mil brasileiros em 2022, especialmente os mais vulneráveis

08 de dez de 2023

O deputado Antonio Brito: Brasil registra mais de 80 mil casos por ano, mas governo passado deixou apenas R$ 14 milhões para essa finalidade

Edição Scriptum com Agência Câmara

O líder da bancada do PSD na Câmara, deputado Antonio Brito (BA), defende a necessidade de aumentar o orçamento para o combate à tuberculose. Coordenador da comissão que estuda maneiras de eliminar essa doença que é hoje um problema de saúde pública, Brito participou de audiência pública da comissão, onde ressaltou que o Brasil registra mais de 80 mil casos de tuberculose por ano.

Apesar disso, o governo passado deixou apenas R$ 14 milhões para essa finalidade, informou o deputado. O parlamentar do PSD da Bahia relatou que já se reuniu com o relator-geral do Orçamento de 2024, deputado Luiz Carlos Motta (PR-SP), e com o relator da área de saúde, senador Marcelo Castro (MDB-PI), para tratar do assunto.

“Houve o compromisso do senador Marcelo Castro, e deveremos, sim, ampliar o orçamento. Fizemos uma proposta ousada para ele, mas precisaremos do apoio do Ministério da Saúde e dos deputados e deputadas desta Casa para que a gente apresente uma coisa concreta, não só essas reuniões, mas algo concreto de ampliação de orçamento e programas do Ministério da Saúde”, disse.

O dia 7 de fevereiro é a data provável do lançamento, pelo governo federal, do plano nacional de eliminação da tuberculose e das doenças determinadas socialmente, em solenidade no Palácio do Planalto.

Retrocesso

A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Ethel Maciel, confirmou que, no ano passado, o Brasil registrou 81.538 casos de tuberculose, o que significa 9 pessoas contaminadas a cada hora. No mesmo período, foram 5.824 óbitos em consequência da enfermidade. Segundo a secretária, esse foi o pior cenário de mortalidade pela doença nos últimos 20 anos.

“A gente retrocedeu duas décadas em relação aos óbitos por tuberculose no Brasil, e morrer por tuberculose no século 21, quando temos um medicamento que cura praticamente 100% dos casos, é inaceitável”, declarou.

E o cenário real pode ser ainda mais grave. A Organização Mundial da Saúde estima que o Brasil diagnostique apenas cerca de 80% das pessoas contaminadas com tuberculose.

Assim, de acordo com o coordenador de Prevenção e Controle de Doenças Transmissíveis da Organização Pan-Americana de Saúde, Miguel Aragón, o órgão calcula que ocorram, de fato, cerca de 105 mil novos casos da doença a cada ano no país.

Pobreza e fome

Outro desafio no enfrentamento da tuberculose, conforme Ethel Maciel, é a aderência dos pacientes ao tratamento. Segundo disse, hoje somente 66% deles tomam os medicamentos até o final. O fator determinante para o abandono do tratamento é a pobreza, sustentou a representante do Ministério da Saúde.

“Isso é outro dado inaceitável, e que a gente precisa mudar radicalmente a forma como estamos fazendo o acompanhamento, o monitoramento dessas pessoas que estão em tratamento por tuberculose no Brasil. Um fator importante é a pobreza: a fome faz com que haja um aumento de eventos adversos devidos ao medicamento. Então, a pessoa que não tem o comer acaba deixando o tratamento porque o medicamento faz ela se sentir mais mal do que a doença”, afirmou.

Por isso, na opinião de Ethel Maciel, além de ofertar os medicamentos, é fundamental que o governo adote medidas voltadas às pessoas em maior vulnerabilidade – como a população em situação de rua. Segundo a especialista, pesquisas mostram que ações simples, como a oferta de transporte e alimentação gratuitos, asseguram a adesão ao tratamento até o final.

A meta do governo federal é chegar a 2030 com menos de 10 casos de tuberculose por 100 mil habitantes por ano. Atualmente, a proporção é de 37 ou 38 a cada 100 mil pessoas. Além disso, o Brasil assumiu o compromisso de reduzir a mortalidade dos atuais 5.824 casos anuais para menos de 230.

Para desenvolver as ações necessárias para atingir esses objetivos, de acordo com Ethel Maciel, o Ministério da Saúde precisa de um orçamento de pelo menos R$ 650 milhões.

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