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CPI DA PANDEMIA

Senadores rebatem argumentos de médica pró-cloroquina

Omar Aziz (PSD-AM) e Otto Alencar (PSD-BA) mostraram irritação com a defesa do tratamento precoce da covid-19, em depoimento da médica Nise Yamaguchi na comissão

01 de jun de 2021

A médica Nise Yamaguchi e o senador Otto Alencar

Com o depoimento da médica Nise Hitomi Yamaguchi, que defende o uso de medicamentos como a cloroquina no tratamento inicial da covid-19, a CPI da Pandemia, presidida pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), iniciou na terça-feira (1) a fase de depoimentos de profissionais de saúde e pesquisadores. A participação de Nise Yamaguchi gerou reações de contrariedade do presidente da comissão e de outros senadores, como Otto Alencar, do PSD da Bahia.

Insatisfeito com o depoimento da médica, Omar Aziz já avisou que será necessário fazer uma acareação com o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta ou com o diretor presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, que relataram em seus depoimentos na CPI a existência de uma proposta de mudança da bula do medicamento cloroquina, acrescentando a indicação do medicamento contra a covid-19. Yamaguchi negou a existência dessa proposta.

Aziz lembrou que o ministro Mandetta e Barra Torres disseram que o documento estava em cima da mesa (em reunião que teve a participação da médica) e não foi aceito.

Médico por formação, o senador Otto Alencar (PSD-BA) apontou falhas e refutou declarações da médica acerca do tratamento precoce. Também apresentou estudo do Hospital Israelita Albert Einstein, onde ela trabalhou, que mostra que a cloroquina “não tem efeito em pacientes leves e moderados” com covid-19.

“Como é que a senhora, com a responsabilidade que tem, diz que tratou 370 e tantos doentes, sem comprovar os doentes, sem mostrar os exames? Isso é leviano! Não dá para dizer que tratou e não apresentar comprovação. (…) Isso não é honesto. É fundamental que façam exames para mostrar a evolução do paciente”, cobrou o senador do PSD baiano.

Medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina, que integram o kit covid, não têm eficácia comprovada contra a covid-19. O rol de remédios é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro e apoiadores. “A senhora apostou numa droga (cloroquina) que poderia dar certo ou não. Essa é a grande realidade e a ciência, doutora, por mais que a senhora seja formada e tenha cursos, não admite isto de se apostar no escuro, querer testar uma droga para ver se dá certo ou errado”, criticou Otto Aencar.

A médica tergiversou quando indagada sobre a diferença entre vírus e protozoário, microrganismo unicelular causador a malária, doença para a qual a cloroquina é indicada — assim como lúpus e artrite reumatoide. “A senhora não é infectologista, se transformou de uma hora para a outra. (…) A senhora não soube nem explicar o que é um vírus. Vírus não são nem considerados seres vivos. Portanto, uma medicação contra protozoário nunca cabe para vírus. Quando surgiu H1N1, a ciência foi atrás de um medicamento antiprotozoário ou antiviral?”

— Foi um antiviral — respondeu Nise Yamaguchi.

— Pois bem, não foi um antiprotozoário. (…) A senhora sabe a que família, a que grupo pertence a covid-19?

— Ao coronavirite. Ele é um coronavírus.

— A senhora não sabe nada de infectologia. Nem estudou, doutora. A senhora foi aleatória mesmo, superficial. A covid-19 é da família dos betacoronavírus.

— Sim…

— A senhora não disse. (…) A senhora sabe quando aconteceu a primeira manifestação do coronavírus no mundo, o primeiro caso? A senhora sabe a data?

— Sei.

— E que tipo de coronavírus foi?

— Exatamente.

— Diga o nome, diga o nome. Pode pegar os livros aí, porque a senhora certamente não leu, não estudou. Ih, doutora, de médico audiovisual esse plenário está cansado. De alguém que viu e ouviu, mas não leu, não se aprofundou e não tem estudado.

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