Igualdade de gênero

Adriana Flosi: ‘Atitude e comprometimento’

A desigualdade compromete a prosperidade da sociedade em geral e da economia em particular, escreve Adriana Flosi, vice-coordenadora nacional do PSD Mulher

15/03/2018

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Adriana Flosi, empresária e vice-coordenadora nacional do PSD Mulher

 

O mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher nos oferece uma oportunidade de reflexão. Essa ponderação deve levar em conta nossa mutante relação com o poder, por meio da qual percebe-se que a força advém, cada vez mais, da capacidade de catalisar interesses legítimos, do compromisso com propósitos sustentáveis e do respeito ao outro. Sempre com foco em um futuro melhor para todos.

Porém, ao fazer um atentar para a questão de gênero há muito a percorrer. Principalmente quando analisamos o desempenho rumo à igualdade. Por mais que diversas ações chamem atenção para o assunto, por mais que, infelizmente, o tema da violência contra a mulher faça parte do noticiário, pouco avançamos. Pior, regredimos.

O Índice Global de Desigualdade de Gênero, divulgado em novembro de 2017, pelo Fórum Econômico Mundial, coloca o Brasil 11 posições atrás do apurado em 2016. Na lista de 144 países, o Brasil caiu da 79ª posição em 2016 para a 90ª. O primeiro país sul-americano com a melhor posição no ranking é a Bolívia, na 17ª colocação quando se trata de reduzir as várias diferenças entre mulheres e homens.

Ao atentar para essa relação no mundo corporativo, o levantamento mais recente da Corporate Women Directors International (CWDI) revela que, na América Latina, a exclusão de mulheres nos conselhos administrativos das empresas é uma regra. Os conselhos das 100 maiores empresas do continente eram formados à época do levantamento por 7,3% de mulheres e 92,7% de homens.

O relatório da instituição revela ainda que 50 das 100 maiores empresas não têm sequer uma mulher na diretoria. Dos 50% restantes, 31 têm apenas uma mulher; outras 15 listam duas mulheres em cargos de direção; e em apenas quatro as mulheres conquistaram três ou mais vagas na diretoria.

Esse panorama desigual compromete a prosperidade da sociedade em geral e da economia em particular. Empresas seriam mais eficazes se buscassem o equilíbrio de gênero. Maior eficiência e produtividade são fatores de desenvolvimento econômico. Algo já constatado, inclusive, pelo Peterson Institute for International Economics.

O instituto, com sede em Washington, revelou em um estudo feito entre 22 mil companhias abertas de 91 países, que mulheres em altos cargos executivos podem impactar a rentabilidade das empresas. A constatação foi de que a presença de mulheres, em até 30%, nas posições de alta hierarquia se reverte em 15% de crescimento na rentabilidade.

Ao refletir sobre a questão de gênero em governos e casas parlamentares não temos também o que comemorar. Em 2016, a Inter-Paliamentary Union classificou o Brasil na posição 153º num ranking de 193 países quanto à presença de mulheres nas casas parlamentares. No ano seguinte, o ranking posiciona o Brasil como 154º colocado. Em 2017, o melhor colocado na América do Sul é o Equador, 11º posição.

O mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher é uma oportunidade para que, mulheres e homens, possam pensar sobre como a igualdade de gênero será benéfica para toda sociedade. Não há pai, irmão ou avô que não queira um futuro melhor para suas filhas, irmãs e netas. Por isso, o engajamento deve ser de todos.

A causa não é exclusiva das mulheres e também não é regionalizada. A ONU, por meio da agenda 2030, construiu 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Entre eles, o número 5 defende que, juntos, alcancemos a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas. Um desafio a ser superado por meio de atitudes e comprometimento em todas as instâncias.

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