ARTIGO

Coronel Camilo: ‘Somos responsáveis pelo espaço público’

Coronel Camilo, deputado estadual pelo PSD em São Paulo, escreve sobre a importância de combater a desordem urbana nas grandes cidades

05/07/2018

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Coronel Álvaro Camilo, ex-comandante geral da Polícia Militar de São Paulo e deputado estadual pelo PSD-SP

 

 

É fundamental cuidar do espaço público para que todos possam viver em harmonia. Nada funciona sem organização: quando temos praças e ruas com lixo jogado, barracas de camelôs e shows abertos sem permissão, elas acabam se tornando um problema de segurança pública por atraírem criminosos devido à desordem urbana formada.

Na avenida Paulista, em São Paulo, esses e outros problemas estão cada vez mais evidentes. Nos últimos domingos, dezenas de shows na calçada, sem qualquer aviso prévio aos órgãos competentes, foram alvo de queixas por parte das associações de moradores da região e até de pedestres que tiveram que desviar seus caminhos e usar a rua como passagem. As reclamações viraram reportagem em um jornal de grande circulação.

Há alguns anos, havia ali uma importante ferramenta para conter essa baderna. Era a chamada Operação Delegada, criada quando eu estava no Comando-Geral da Polícia Militar, que hoje está enfraquecida neste local. Era, ainda, um braço forte do governo municipal na questão do combate à baderna.

Na Operação Delegada, PMs em folga trabalham por adesão para a Prefeitura. Atuam fardados, protegidos e agem especialmente contra a bagunça na rua.

Anos depois, no entanto, a Operação foi definhando e tendo seu objetivo reduzido cada vez mais, infelizmente. Hoje, poucos lugares estão com PMs da Delegada.

No interior paulista, que também enfrenta problemas de desordem urbana, a Operação segue outro rumo e tem crescido (um grande ganho para a população). Nos endereços que aderiram, houve até 70% de redução de crimes no entorno da operação.

Um dos estudos mais conhecidos que tentou comprovar tal relação foi a Teoria das Janelas Quebradas que, juntamente com a política criminal de Tolerância Zero, ficou mundialmente famosa nos anos 1990, depois que a polícia de Nova York começou a combater nas ruas os sinais exteriores de desordem. A teoria do cientista político James Q.Wilson e do psicólogo criminologista George Kelling demonstra que a desordem urbana gera ainda mais desordem e propicia a prática de crimes que geram uma sensação de insegurança na população.

Há diversas diferenças entre a realidade das cidades de Nova York e São Paulo, mesmo porque são sociedades diferentes, de valores e culturas distintas. Mas é razoável estabelecer conexão entre desordem e sensação de insegurança, dada a natureza humana primar pela ordem.

Nós também podemos fazer a nossa parte, zelando pelos espaços públicos e jogando lixo na praça, pois não fazemos isso com a nossa casa. Enaltecer o sentimento de pertencimento é primordial para uma sociedade mais justa e organizada.

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