Opinião

Gilberto Kassab e Raul Jungmann: ‘Satélite brasileiro’

Ministros da Ciência e Tecnologia e da Defesa escrevem, em artigo publicado pela Folha de S. Paulo, sobre os benefícios do satélite lançado nesta quinta-feira para o desenvolvimento econômico e social do país

04/05/2017

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Gilberto Kassab, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações 

Raul Jungmann, ministro da Defesa 

 

O Brasil está prestes a ingressar em seleto grupo dos países com autonomia nas comunicações e na defesa de fronteiras. Ofertar acesso à internet banda larga para a população e alcançar excelência nas comunicações militares são aplicações que traduzem o nome técnico do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).

Esse moderno equipamento – estacionado a 36 mil km de altitude, sobre os céus do Brasil – será lançado da Guiana Francesa nesta quinta (4), com operação prevista para os próximos meses.

É fruto de parceria entre os ministérios da Defesa e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Contará com duas bandas: KA, para comunicações estratégicas do governo e o Programa Nacional de Banda Larga, e a X, correspondente a 30% de sua capacidade e de uso exclusivo das Forças Armadas.

Adquirido pelo consórcio Visiona (Embraer e Telebras), o satélite demandou investimentos que somam R$ 2,7 bilhões. Contemplando aportes de R$ 500 milhões da Defesa para utilização da banda X e o restante de recursos do Tesouro, o projeto torna-se realidade com determinação do presidente Michel Temer para liberar os R$ 500 milhões que faltavam para sua conclusão.

Com seu próprio satélite geoestacionário, o país reduzirá a necessidade de alugar equipamentos de empresas privadas, gerando significativa economia.

Quando totalmente operacional, irá concretizar a soberania sobre o território nacional que os brasileiros já têm por direito. E será fundamental para o controle do espaço aéreo e fiscalização dos nossos 17 mil km de fronteiras.

Acesso à internet é cidadania. E o SGDC permite democratizar isso. Será o fim do apartheid digital.

Avançam entendimentos para que o satélite viabilize acesso à rede em milhares de unidades escolares por todo o país, além de alta conectividade para instituições de ensino superior.

O satélite permitirá ainda que hospitais e unidades de saúde de áreas remotas se valham de aplicações utilizadas em grandes centros. O Ministério da Saúde e a pasta da Ciência, desenvolvem discussões para esses benefícios, abarcando o conjunto de equipamentos públicos.

Além desses aspectos que trazem grande impacto na qualidade de vida do cidadão, o SDGC terá contribuição efetiva para o desenvolvimento do Brasil em outras frentes.

Por exemplo, o agronegócio. Cerca de 400 mil propriedades rurais produtivas poderão contar com o uso de tecnologias para agricultura de precisão. Outro ganho é a possibilidade da criação de cidades inteligentes, com a conexão de dispositivos pela nuvem, explorando os campos de internet das coisas e aperfeiçoando os serviços públicos.

Importante destacar ainda que, mesmo antes da operação, o satélite já traz resultados. O acordo fechado com a empresa fornecedora, a francesa Thales Alenia Space, prevê transferência de conhecimento e tecnologia no setor espacial, o que já desperta interesse da comunidade científica nacional.

Quando a delegação do governo brasileiro visitou a sede da empresa, em dezembro do ano passado, um de seus principais executivos, Bertrand Maureau, reiterou a intenção de ampliar a integração para outros campos tecnológicos.

Fortalecimento da soberania nacional, democratização da internet, transferência de tecnologia e geração de empregos técnico-científicos. Apenas um desses benefícios já justificaria os investimentos, mas muitos outros ganhos virão com a dinamização das comunicações entre os brasileiros. Estamos iniciando uma nova era. Quem viver, verá!

 

 

Artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo em 4 de maio de 2017.

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