Conferência

PPPs podem elevar investimentos em saneamento

Na abertura da Conferência Internacional Água & Energia, ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, afirmou que matriz energética eficiente é condição para o crescimento sustentável.

27/07/2016

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Kassab na conferência

Durante a abertura da Conferência Internacional Água & Energia – Novas Abordagens Sustentáveis, em Brasília, o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, afirmou nesta quarta-feira (27) que parcerias público-privadas (PPPs) podem aumentar os investimentos em saneamento. O ministro também defendeu o aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento para ampliar a participação das energias renováveis na matriz energética brasileira.

Segundo Kassab, o Brasil possui infraestrutura e matriz energética que “poucas nações no mundo apresentam”. Contudo, os investimentos em pesquisa na área de biocombustíveis e energia eólica são insuficientes.

“Nós temos a oportunidade de aproveitar a energia eólica, em especial nos Estados do Nordeste, de uma maneira muito mais rápida, com investimento e planejamento. Hoje, mais do que nunca, precisamos redobrar ou triplicar nossos esforços para recuperar o tempo perdido e ter um mínimo de energia necessária para preservar a qualidade de vida dos brasileiros e o desenvolvimento da nossa economia, porque, sem uma matriz energética eficiente, nós não conseguiremos ter um crescimento sustentável”, disse o ministro.

Ele acrescentou que o debate para ampliar os investimentos em abastecimento de água e o tratamento de esgoto nas cidades brasileiras envolve soluções tecnológicas e financeiras, como as PPPs. “Quando assumi a prefeitura de São Paulo, há 10 anos, um dos grandes problemas do município era a questão do tratamento de esgoto em Guarulhos, porque o que era coletado lá se direcionava ao trecho do rio Tietê que passava pela capital”, lembrou. “Naquele início de gestão, vocês sabem quanto por cento do esgoto de Guarulhos era tratado? Zero. Tivemos um posicionamento político muito forte e convergente com o Governo do Estado e o Governo Federal. A partir daí, os investimentos começaram a acontecer. Felizmente, o índice tem avançado.”

O ministro destacou ainda a crise de abastecimento de água no Nordeste “sem uma solução definitiva” e o agravamento da situação hídrica nas regiões metropolitanas de Campinas (SP), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Para Kassab, a troca de conhecimento pode multiplicar alternativas e soluções em energia, saneamento e água. “Essa conferência é de extrema importância para o nosso país. Pelo que vi aqui, o encontro tem potencial de trazer enormes contribuições para que avancemos em projetos, programas e políticas públicas. Nós podemos transferir e absorver muito conhecimento.”

O ministro informou que representantes do MCTIC vão acompanhar os três dias do evento, que é promovido pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). Ele também colocou o ministério à disposição para contribuir com a formulação de propostas para o 8º Fórum Mundial da Água, marcado para 2018, em Brasília. Além do Confea, participam da realização da conferência a Federação Brasileira de Associações de Engenheiros (Febrae), a União Pan-americana de Associações de Engenheiros (Upadi) e a Federação Mundial de Organizações de Engenharia (FMOI).

Temas fundamentais

Na opinião do presidente do Confea, José Tadeu da Silva, água e energia são temas fundamentais para o desenvolvimento social e econômico dos povos. “A união de diversas entidades, inclusive para a realização da conferência, mostra que o saber técnico-científico, a engenharia, a agronomia e a ciência e tecnologia podem se juntar para cumprir a nossa missão no planeta”, comentou. “Sem esses dois pilares, sem essas grandes colunas, não existiria vida na Terra. E cabe a esses profissionais fazer com que toda a sociedade seja atendida.”

O coordenador de Ciências Naturais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, Ary Mergulhão, classificou água e energia como “a base para o convívio em sociedade, a redução de pobreza, a geração de riqueza, a promoção de bem-estar e a produção de alimentos”. De acordo com Mergulhão, cerca de um quarto da população mundial tem acesso restrito a água de qualidade.

“Hoje, 1,8 bilhão de pessoas vive essa dificuldade. Esse número é crítico e preocupante para o futuro, porque existe pressão de aumento da demanda, crescimento populacional e aceleração da atividade econômica”, avaliou. “Regiões da América do Sul possuem profunda riqueza hídrica, mas mesmo assim em certas microrregiões ainda temos problemas de abastecimento. Então, planejamento passa a ser fundamental.”

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