Ruas, calçadas, praças, entre outros locais da cidade de São Paulo, recebem diariamente o despejo de milhares de toneladas de lixo e entulho. De acordo com o Sindicato das Empresas de Limpeza, são 3764 pontos viciados em toda a cidade que recebem o descarte irregular. Entre eles está a rua Judite Anderson, no Ipiranga, zona Sul, ponto que há anos recebe o despejo de lixo e entulho. “Eles vêm de madrugada e jogam. No outro dia chegam mais dois três carros e lotam isso daqui de entulho, deixando a gente sem condições de passar”, afirma Amélia Dias, moradora da região.
Reportagem exibida pelo telejornal SPTV, da TV Globo, mostra que em março deste ano, a quantidade de lixo despejado tomava praticamente toda a extensão da via. Outra preocupação de quem mora no entorno é que o lixo acumulado gere focos do mosquito Aedes aegypti, causador da dengue. Os moradores afirmam que reclamam na subprefeitura, mas mesmo após passar por uma limpeza, a rua volta a ser utilizada como depósito irregular.
Em resposta à reportagem da TV Globo, a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras disse que cada subprefeitura tem um programa de coleta e de limpeza nesses pontos e que vai intensificar a fiscalização.
Para coibir esse tipo de ação, em 2010 a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab, hoje ministro das Cidades, aprovou a legislação que aumentou o valor da multa (na época R$ 12 mil; hoje chega a R$ 17 mil em caso de flagrante) para o responsável pelo descarte irregular que, além da multa, também pode ter apreendido o veículo utilizado para transportar o material de descarte.
Kassab investiu na instalação de Ecopontos para que eles se tornassem uma solução fácil para o despejo de materiais como móveis velhos, restos de poda de árvore, madeiras e entulho de pequenas obras. Com os Ecopontos, a intenção do então prefeito era reduzir o despejo deste tipo de material nas ruas. Jogados em locais públicos, os resíduos, além de sujarem a cidade, eram arrastados para bueiros, bocas de lobo, córregos e rios no caso de chuva, provocando enchentes.
De 2005 até 2012, a administração municipal expandiu a rede de Ecopontos em mais de 2.750%, chegando a 57 unidades (até 2005 eram apenas duas unidades). Com isso, a média de entulho e inservíveis recolhidos em vias públicas caiu de 2,4 mil toneladas/dia em 2009 para 1,9 mil toneladas/dia em 2010; em 2011, 500 toneladas/dia deixaram de ser descartados irregularmente, chegando à média de 1,4 mil toneladas/dia.