
Para o senador Nelsinho Trad, Brasil deve ampliar a busca por mercados caso as restrições comerciais norte-americanas avancem.
Edição Scriptum com Poder 360
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou nesta quarta-feira (15) em entrevista ao portal de notícias Poder360 que a Lei da Reciprocidade Econômica não deve ser acionada de imediato como resposta ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. “Temos que usar muito a razão, a diplomacia e o diálogo para tentar ter o menor impacto possível”, afirmou Trad.
A Lei da Reciprocidade Econômica (PL 15.122/2025) autoriza o governo brasileiro a adotar medidas de resposta contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras unilaterais capazes de prejudicar a competitividade do Brasil. A norma se aplica em casos de interferência na soberania nacional, descumprimento de acordos comerciais ou adoção de exigências ambientais mais rigorosas que as regras brasileiras. Antes de qualquer retaliação, a lei determina que sejam priorizadas as negociações diplomáticas e as consultas ao setor privado.
O senador reconheceu que a legislação foi criada justamente para situações desse tipo, mas avaliou que sua aplicação imediata poderia agravar as tensões entre os dois países. “A Lei da Reciprocidade é um instrumento legal, legítimo, que o Congresso aprovou para ser usado em situações como essa. Mas eu creio que não deve, neste primeiro momento, ser utilizada”, disse Trad.
Ele também afirmou que o Brasil deve ampliar a busca por mercados caso as restrições comerciais norte-americanas avancem. Segundo o senador, além da China, o país poderia fortalecer relações com a Índia, a União Europeia, os países do Brics, o EFTA — bloco formado por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein — e Cingapura. “O Brasil não pode ficar chorando o leite derramado. Tem que procurar alternativas de comércio”, declarou o parlamentar.
Reação provável
Após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida entra em vigor no próximo dia 22.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já tinha anunciado na terça-feira (14) que o governo poderia recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica e até editar uma medida provisória para proteger empresas brasileiras, caso os Estados Unidos confirmassem a imposição de novas tarifas.