
Para o ministro Carlos Fávaro, não há dúvida de que o Brasil vai se declarar livre da doença nos próximos 22 dias
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O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse na terça-feira (27), em audiência pública na Comissão de Agricultura do Senado, que o foco de gripe aviária encontrado em uma granja comercial no município de Montenegro(RS), há cerca de duas semanas, está contido. Para ele, não há dúvida de que o Brasil vai se declarar livre da doença nos próximos 22 dias, a partir da desinfecção total do estabelecimento.
A limpeza e desinfecção da área onde foi confirmado o foco da gripe foram concluídas na semana passada e, na quinta-feira (22), teve início o período de 28 dias de vazio sanitário, conforme previsto nos protocolos internacionais. Caso não haja registro de novos focos nesse intervalo, o Brasil poderá se autodeclarar livre da doença naquela região.
“Com a força do sistema e a transparência nos procedimentos, conseguiremos comprovar a contenção do foco e negociar com nossos parceiros comerciais protocolos que evitem o bloqueio total das exportações”, afirmou o ministro.
O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério, Carlos Goulart, explicou que o período de vazio sanitário é “essencial para que possamos, de forma técnica e transparente, comprovar a contenção do vírus. Ao final desse prazo, se não houver novas ocorrências, o Brasil poderá se autodeclarar livre da doença naquela região”.
De acordo com ele, “isso não apenas fortalece a credibilidade do nosso sistema sanitário, como também representa um passo fundamental para a reabertura de mercados e a normalização das exportações. É um procedimento previsto em protocolos internacionais, e estamos conduzindo esse processo com o máximo rigor e responsabilidade”.
O ministro Carlos Fávaro destacou que, “passados 15 dias desde a confirmação do foco, o sistema sanitário brasileiro funcionou. Ontem, estávamos com 21 casos em investigação e hoje estamos com 11. Duas granjas comerciais com suspeita da doença deram resultado negativo”.
Fávaro disse que 24 parceiros comerciais bloquearam as compras de carne de frango e outros subprodutos de aves de todo o Brasil. Outros 13 países suspenderam as importações ou do Rio Grande do Sul, ou do município de Montenegro.
Apesar do fechamento desses mercados, o ministro ressaltou que o Brasil conta com 120 países completamente abertos para o frango brasileiro. Ele acrescentou que 70% da produção nacional são consumidos no mercado interno.
“Claro que haverá um impacto, mas nada alarmante. Nossa expectativa é, após divulgarmos que o Brasil está livre, avançarmos na repactuação com todos os países que restringiram. Alá lá, não é recomendável a gente pedir algo para algum país”, alertou.
O ministro enfatizou que o vírus da gripe aviária circula no mundo há pelo menos 30 anos e, há 19 anos, em granjas comerciais. O Brasil, nesse período, tornou-se o único grande produtor mundial de carne de frango e ovos sem o vírus nos seus plantéis.
“A presença do vírus em território brasileiro é fruto de aves migratórias. Um dia, por um motivo ou por outro, ia acabar acontecendo em granjas comerciais”, disse Fávaro, acrescentando que foram abatidos no Brasil 17 mil animais.
O ministro voltou a defender a criação de um fundo nacional para ajudar na indenização de produtores que tiveram perdas econômicas com crises e episódios sanitários, como o da gripe aviária. Como esse instrumento está previsto em um projeto de lei que tramita no Congresso, o ministro pediu apoio aos senadores da Comissão de Agricultura.