
Josibias Cavalcanti: “Quero morrer trabalhando e não trabalhar morrendo”
Quando o pequeno município de Catende, na Zona da Mata de Pernambuco, foi fundado, em setembro de 1928, o professor Josibias Cavalcanti já havia nascido. Era um bebê de pouco mais de um mês. Hoje, mais de 88 anos depois, ele se prepara para assumir pela terceira vez como prefeito da cidade de 40 mil habitantes. Josibias foi eleito pelo PSD com 7.556 votos. É o chefe de executivo mais velho do Brasil e quer colocar a sua experiência, chamada por ele de “velhitude”, a serviço da juventude, que enxerga como o principal público a ser assistido por sua gestão.
Mesmo antes de tomar posse do mandato para o qual foi eleito, Josibias é o prefeito em exercício de Catende. Ele assumiu o cargo em junho deste ano, como vice do então prefeito Otacílio Alves Cordeiro, preso sob a acusação de liderar uma quadrilha que desviou pelo menos R$ 25 milhões dos cofres municipais.
“Com a minha idade, poderia ficar na rede me balançando, mas não consigo. Quero morrer trabalhando e não trabalhar morrendo”, disse Josibias em entrevista para a Folha de S. Paulo, em reportagem publicada nesta terça-feira (1). O maior problema que ele vai enfrentar em seu terceiro mandato – foi prefeito entre 1969 e 1973 e, depois, entre 1977 e 1981 – é a segurança pública. Historicamente pacata e tranquila, Catende tem assistido à explosão da violência. Nos dez primeiros meses deste ano foram registradas 32 ocorrências de homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, contra 14 no mesmo período do ano passado – só em outubro foram cinco assassinatos.
“Quero pacificar Catende”, disse ele à Folha. “Já recebi telefonemas me ameaçando de morte. Confesso que tenho medo às vezes, mas tomo os meus cuidados”, conta o prefeito, que tem como seguranças dois policiais aposentados armados.