
Evento na capital paulista reuniu lideranças do setor; levantamento apontou a segurança como a principal preocupação dos brasileiros.
Edição Scriptum
A valorização dos policiais, o porte de armas e a promoção do esporte para que os jovens não sejam atraídos para o crime foram alguns dos temas que permearam o debate sobre a segurança pública no País, promovido nesta segunda-feira (9) pelo PSD de São Paulo. Realizado na sede do partido na capital paulista, o encontro teve a mediação da jornalista e apresentadora Rachel Sheherazade e contou com as participações de lideranças ligadas ao setor — a secretária de Esportes do Estado de São Paulo, Helena Reis, que é oficial da reserva da Polícia Militar, a capitã Karol Burunsizian, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo, o advogado, instrutor de tiro e vereador licenciado no município de Monte Azul Paulista Mardqueu Silvio França Filho, o Samurai Caçador, a delegada da Polícia Civil e vereadora em Itapetininga Julia Nunes Machado e o advogado criminalista e ex-policial militar Adriano Santos.
Na apresentação do tema, Sheherazade lembrou que um levantamento divulgado pelo instituto Paraná Pesquisas no último dia 2 apontou a segurança como a principal preocupação dos brasileiros. “A percepção da violência atinge, praticamente, todos os segmentos da sociedade, independente de profissão, gênero, idade ou religião”, frisou a jornalista.
Capitã Karol, que completou 22 anos de trabalho na Polícia Militar nesta segunda, ressaltou que o combate à criminalidade não pode ser encarado de maneira simplista, já que envolve múltiplos aspectos. “A segurança é somente a ponta do iceberg, porque todas as frustrações do Estado desaguam na falta de segurança, como a falta de educação, a falta de oportunidades, a desigualdade, entre tantos outros fatores que contribuem para o cometimento de crimes. Quando um crime acontece, ele é só o resultado de problemas que estamos enfrentando.”
A secretária estadual de Esportes Helena Reis ressaltou a importância do estímulo às práticas esportivas entre os jovens para a diminuição da violência. “Nós fizemos agora um projeto de 24 centros de formação esportiva no Estado. “Quando a gente pensa no esporte como política pública, ele tem um forte impacto social. O esporte faz uma transformação sutil e duradora, tem impacto na prevenção primária. Muitas vezes, a repressão policial, a prisão, não tem essa prevenção duradoura.”
Adriano abordou o déficit de agentes de segurança no Estado, que impacta negativamente nas políticas públicas para o setor. “Eu entrei na Polícia Militar em 1997, quando o efetivo era de 89 mil homens. A Polícia Civil tinha 37 mil policiais e a população do Estado era de 35 milhões de habitantes. Hoje, temos 46 milhões de habitantes e a polícia tem um efetivo menor do que tinha 30 anos atrás. A Civil tem 27 mil homens hoje. No que isso vai impactar? Oito por cento dos celulares roubados são recuperados, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Se não tenho material humano para investigar, para ir atrás, eu não recupero. O Instituto Sou da Paz fez uma pesquisa que mostra que 31% dos homicídios são resolvidos em São Paulo. Na Bahia, apenas 13%.”
Samurai Caçador criticou o Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/2003) e defendeu o direito dos cidadãos de portarem armas para se protegerem dos criminosos. “O Estatuto não foi feito para desarmar os criminosos, mas os cidadãos de bem. Nós temos o direito à vida, mas como exercer esse direito, se nós não podemos exercer o direito à defesa?”. Ainda segundo ele, não há relação entre aumento do porte de armas e a violência. “Em 2017, havia apenas 100 mil registros de CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) no País. Em 2024, nós chegamos a um milhão e vinte seis mil registros no Brasil. Só no Estado de São Paulo somos 300 mil, isso gera recursos e empregos. A arma não gera violência. Em 2017, eram 65 mil homicídios por armas de fogos por ano. Em 2023, o número caiu para 44 mil.”
Vereadora mais votada da história de Itapetininga, no interior de São Paulo, com 3.194 votos conquistados na eleição de 2024, Júlia Nunes também se destaca por ser ativista da causa animal. Ela lembrou do caso do cachorro Orelha, morto e torturado no início deste ano em Florianópolis, capital de Santa Catarina. “Quando a gente puxa a questão da crueldade contra o animal para a segurança pública, a gente está combatendo não só a crueldade contra os animais, mas contra qualquer ser vulnerável. A segurança pública também tem que combater crimes cruéis contra animais.”