
O governador Ratinho Jr: “A gente entende que se a gente conseguir fazer medidas, vamos frear a curva.”
A partir desta quarta-feira (1), sete regiões do Paraná estarão submetidas a uma “quarentena mais rígida”. É o que determina decreto do governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), segundo quem a medida “pensa de forma regional para resolver problemas agudos. A região está com alto índice de contaminação e temos que ‘parar’ aquela região. Por isso é uma determinação”, disse.
As regiões incluídas no decreto apresentam números mais críticos da pandemia de covid-19. As regras têm prazo de 14 dias, mas não incluem o lockdown total. As regionais do Paraná que terão a quarentena são: Curitiba e Região Metropolitana, Cascavel, Cianorte, Cornélio Procópio, Foz do Iguaçu, Londrina e Toledo, o que abrange outros municípios. As restrições ao setor econômico, especialmente no comércio, visam diminuir o fluxo de pessoas nas ruas e nos ônibus para evitar a proliferação do vírus.
Questionado sobre chances de lockdown, o governador Ratinho Junior admitiu que pode ser decreto no futuro caso a situação da covid-19 piore. “Existe a possibilidade. A gente entende que se a gente conseguir fazer medidas, vamos frear a curva. Se a gente conseguir, nos dá tranquilidade ao setor da Saúde para atender a população e não deixar colapsar o sistema econômico”, apontou.
O decreto inclui a suspensão dos serviços não essenciais, o que significa o fechamento de shoppings, comércio, academias, clubes, salões de beleza, entre outros. Os procedimentos cirúrgicos eletivos também estão suspensos para existir controle dos medicamentos sedativos. Todas as atividades, essenciais ou não, estão listadas no decreto do dia 21 de março.
Segundo o governador, a quarentena é para cuidar dessas regiões para “estancar o problema” da covid-19 e pode ser estendida para outras regiões. Com as medidas, a expectativa é o aumento no índice de isolamento. “Esperamos que consigamos diminuir a velocidade. Não adianta mentir que a pandemia vai acabar de uma hora para outra. Enquanto não acharmos vacina ou remédio que coloque um freio geral, vamos ter que conviver. Sempre buscando preservar a vida e dando fôlego”, completou.
Além disso, Ratinho também anunciou que esta terça-feira (30) foi o pior dia da pandemia. São 36 mortes e 1.536 novos casos incluídos no balanço da Secretaria de Estado da Saúde nas últimas 24 horas. O governo ainda admitiu que sofre dois problemas graves nessa pandemia do coronavírus: falta de insumos e dificuldade com os números de profissionais de Saúde para atender as novas UTIs.
“Essas medidas são importantes porque o problema do Paraná não é respirador. Temos dois problemas, que são também do Brasil e fora do Brasil. Insumos, medicamentos para sedar o cidadão que precisa ser entubado. Tivemos um caso de hospital particular na capital que, no sábado, acabou o insumo. Além disso, escassez de intensivistas. Mesmo que a gente abra, temos dificuldades em ter mais profissionais. Precisamos fazer com que a curva perca a velocidade para suportarmos esses atendimentos”, afirmou o governador.
A decisão pela quarentena foi tomada após o governador Ratinho Junior se reunir com o comitê de enfrentamento ao coronavírus na segunda-feira (29). Hoje, o governador passou por mais uma série de encontros por videochamadas: primeiro com integrantes do Ministério Público, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas e deputados. Depois, conversou os presidentes das Associações dos Municípios e, por último, falou com o G7, principais empresários do Estado.