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SEGURANÇA

Paraná usa ‘DNA de armas’ em investigações criminais

Estado governado por Ratinho Junior (PSD) é o primeiro a solucionar crimes com o auxílio do Sistema de Análise Balística, capaz de apontar conexão entre armas usadas em atos de violência

09 de maio de 2022

O governador Ratinho Jr: programa ajudou a Polícia Civil a ter mais assertividade nos indiciamentos.

Redação Scriptum com Agência de Notícias do Paraná

O Paraná foi o primeiro Estado brasileiro a investigar homicídios cometidos com armas de fogo por meio do Sistema Nacional de Análise Balística (SINAB), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O programa começou a ser utilizado em fevereiro e em abril os peritos da Polícia Científica paranaense foram capazes de apontar a conexão entra as armas e as munições usadas em dois crimes ocorridos em Curitiba.

O SINAB permite que peritos cadastrem os elementos de munição (estojos e projéteis) relacionados a crimes para formação do Banco Nacional de Perfis Balísticos (BNPB). O modelo automatizado ajuda a rastrear munições e as correlações com outros casos para saber se a mesma arma foi utilizada em mais crimes. Os equipamentos produzem imagem de alta definição de projéteis e estojos encontrados em locais de crime e vão auxiliar, cada vez mais, a análise manual dos peritos. A lógica é similar ao Banco Nacional de Perfis Genéticos, que tem auxiliado as forças de segurança há mais tempo.

O programa utilizado pela gestão do governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) também está sendo operado no Espírito Santo, Goiás, Pará, Pernambuco e no Distrito Federal, mas apenas a Polícia Científica do Paraná conseguiu resultados concretos, auxiliando a Polícia Civil a ter mais assertividade nos indiciamentos. A inspiração da União foi na Bahia, que desenvolveu sistema similar há mais tempo.

Cerca de 77% dos crimes cometidos nas grandes capitais estão relacionados ao tráfico de drogas, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública e pesquisas como o Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A investigação policial muitas vezes fica refém da prova testemunhal para o indiciamento de um suspeito, que é alguém que viu ou alguma câmera que flagrou. Agora, com o novo sistema, será possível apresentar provas materiais, periciadas e irrefutáveis, que colaboram para a decisão judicial dos casos.

As munições e armas identificadas pela Polícia Científica do Paraná foram utilizadas, nos dois casos, em crimes que tiveram bastante repercussão. Peritos especializados em confronto balístico identificaram a materialidade do crime a partir das armas usadas nas cenas, o que, consequentemente, facilitou a investigação criminal.

Um dos casos está relacionado a uma chacina ocorrida em fevereiro deste ano, no bairro Portão, na Capital. Sete pessoas estavam dentro de um carro e foram baleadas. Toda a ação foi registrada por câmeras de segurança da região. Dois adultos e duas crianças foram mortas durante a execução e cinco pessoas foram presas relacionadas ao caso na ocasião. O material coletado foi periciado e cadastrado no SINAB.

A arma utilizada neste crime apareceu um dia depois. Ela foi apreendida após uma perseguição da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Santa Catarina em um caso distinto. Um menor foi apreendido e um homem escapou na ocasião, mas ambos foram detidos na sequência após a emissão de mandados de prisão. A análise balística corroborou a participação deles. Agora, sete criminosos estão presos por essa chacina e a autoria será indicada no processo que corre junto ao Poder Judiciário.

O outro caso que teve identificação positiva entre a arma e os elementos da munição aconteceu em março de 2021. O caso está relacionado com a execução de um homem no bairro Boqueirão, em Curitiba. Graças ao sistema e ao trabalho dos peritos foi possível identificar qual arma foi usada na execução. A Polícia Civil continua investigando esse crime. Uma pessoa já foi presa.

Esse novo sistema também vai auxiliar em outra apuração de grande repercussão no Paraná. As armas apreendidas pelas forças de segurança na tentativa de assalto que ocorreu na cidade de Guarapuava, no mês passado, também estão sendo periciadas e as análises serão encaminhadas ao SINAB.

Eram várias armas de grosso calibre, entre elas .50 BMG, de uso exclusivo das Forças Armadas. Esta é a primeira vez que peritos criminais do Paraná fazem a coleta e a análise científica dos projéteis deste calibre. Esse processo ainda está em andamento.

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