
Sob mediação da jornalista Rachel Sheherazade, foram apresentadas iniciativas legais em vigor e em discussão para combater feminicídios e outras formas de violência de gênero
Edição Scriptum
Fortalecendo-se de maneira contínua e reunindo lideranças de diferentes campos da sociedade e ativistas políticos, o PSD de São Paulo promoveu nesta terça-feira (13), na sede estadual do partido, o debate “Feminicídio: Desdobramentos em nossa sociedade”, com apresentação de diferentes propostas e experiências de representantes do PSD, além da filiação ao partido de novas lideranças, em uma primeira atividade desta natureza em 2026.
O presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, a coordenadora do PSD Mulher, Alda Marco Antonio, e a secretária Ivani Boscolo estiveram na atividade, que reuniu importantes lideranças (leia mais abaixo sobre alguns dos participantes).
Sob mediação da jornalista Rachel Sheherazade, foram apresentadas iniciativas legais em vigor e em discussão para combater feminicídios e outras formas de violência de gênero, além de experiências pessoais sobre o tema. Rachel conduziu as participações e apresentou números e indicadores, por exemplo pontuando estimativa de que até o fim do debate mais de 130 mulheres no País teriam sofrido agressão.
Em apresentação por vídeo, a senadora Mara Gabrilli (PSD) trouxe detalhes do relatório de avaliação sobre o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, que coordenou como vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado. Documento apresentado no último dia 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, o relatório pontuou falhas relevantes na execução deste plano do Governo Federal, como por exemplo a execução de apenas 5% do orçamento previsto para enfrentamento ao feminicídio.
Mara pontuou que o relatório cobrou maior execução de recursos federais para ações de combate à violência, além de transparência e empenho em ações no SUS (Sistema Único de Saúde) e incrementos à lei Maria da Penha que permitam proteger por exemplo populações vulneráveis, como mulheres negras e indígenas, mais vezes afetadas, estatisticamente segundo afirmou.
“O PSD, com o presidente Kassab, debate os temas e está afinado com os problemas cotidianos e mais recentes do país”, disse em sua participação o deputado federal Carlos Sampaio (PSD). O parlamentar destacou projeto que apresentou que visa tornar obrigatório o uso de tornozeleira eletrônica por agressores de mulheres com medida protetiva e determinação judicial de afastamento de suas vítimas. A iniciativa foi proposta no final do ano passado, em meio à de casos de feminicídio no Brasil.
A escritora e palestrante Yahanne Marques apresentou “relato pessoal” que trouxe concretude a números e iniciativas de gestão pública: foi baleada na cabeça pelo então marido, que após o caso se suicidou. “Sobrevivido por milagre”, disse, relatou seu caso e passou a militar pelo combate ao feminicídio na Organização Não Governamental “Acolhimento”, de apoio a mulheres vítimas da violência. Defendeu, no debate do PSD, o endurecimento das ações de enfrentamento a criminosos.
Gilmara Gonçalves, ex-vereadora e secretária de Desenvolvimento Econômico, Social e Trabalho de Carapicuíba, pontuou aspectos pessoais de sua trajetória e destacou iniciativas na cidade de mais de 380 mil habitantes da Região Metropolitana de São Paulo, como a patrulha Maria da Penha, empreendida pela Guarda Municipal e outras ações “coordenadas” no âmbito da Prefeitura e a Polícia na cidade – segundo sua apresentação, em 2025 foram mais de 10 mil atendimentos diversos e dezenas de prisões exclusivamente relacionadas a tentativa de feminicídio, reduzindo os indicadores de violência contra a mulher.
O prefeito reeleito de Tatuí, Miguel Cardoso Junior (PSD), levou a experiência de sistema desenvolvido no âmbito da Guarda Municipal em parceria com a Fatec no município: o desenvolvimento de aplicativo para telefones celulares com “botão de pânico” conectado a denúncias de risco de agressão, a “Patrulha da Paz”, ação que tem trazido resultados, disse. “O que funciona é também termos integração de atores diferentes, por exemplo com um juiz engajado no tema no município, empenhado na promoção da Justiça restaurativa”, afirmou, referindo-se a abordagem judicial focada em reparação de danos e diálogo envolvendo vítima, comunidade e agressor.
Eliel Miranda, ex-vereador em Santa Bárbara D´Oeste, e guarda municipal há duas décadas em Paulínia, relatou casos de violência contra a mulher e pontuou a necessidade de iniciativas efetivas em segurança pública. Lembrou que iniciativas como “botão do pânico” reduzem o tempo de espera para socorro a potenciais vítimas para três minutos, mas lembrou que a lei Maria da Penha e outras iniciativas já tem mais de uma década e é necessário empreendimento de ações em redes municipais de educação e o fortalecimento das guardas, “polícias municipais”. Também lembrou da “violência digital” e exposição de mulheres em redes sociais.
“Ter organizado um evento para discutir temas como estes no momento de filiação de novos membros mostra como o PSD se prepara de forma diferenciada, formando quadros e pensando em políticas públicas”, disse Gustavo Henric Costa, o Guti, ex-prefeito de Guarulhos. Apresentou diferentes aspectos do combate ao feminicídio na segunda maior cidade do estado, como implementação efetiva da “patrulha Maria da Penha”, criação de “Casas Abrigo” para mulheres vítimas de agressão, “Casa amarela”, para capacitação profissional de vítimas, e disse que a cidade, em termos proporcionais, foi a que conseguiu reduzir indicadores de feminicídio em maior escala no estado, em taxa por cem mil habitantes.
Filiações
Também participaram diferentes parlamentares e prefeitos, como a de Bauru, Suéllen Rosim, o deputado estadual Paulo Correa Jr, e gestores em exercício de diferentes regiões do Estado e ex-gestores, como Edson Marcusso (Boituva), o ex-deputado federal Duarte Nogueira, Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, Vinicius Marchese, presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, Alfredo Cotait Neto, presidente da Federação das Associações Comerciais de São Paulo e vice-presidente do PSD, o vereador de São Paulo Thammy Miranda e o coordenador nacional do PSD Movimentos, Ricardo Patah.
Kassab conduziu as filiações de novos nomes, que tiveram suas fichas “assinadas” por diferentes lideranças do PSD.
O ex-prefeito de Diadema, Lauro Michels, que chega ao partido, destacou ações na cidade do ABC paulista, como a concessão de títulos de regularização fundiária a mulheres. No município, reestruturou as finanças, e promoveu entrega de diferentes obras em infraestrutura, tendo iniciado carreira política como vereador, aos 21 anos.
Ana Claudia Cotait, graduada em letras e comunicação social e com 30 anos de carreira no Senado Federal, disse que a filiação para atuação no âmbito partidário permitirá que atue agora pelo empreendedorismo feminino – ela também preside o Conselho da Mulher Empreendedora do Conselho da Associações Comerciais do Brasil.
O engenheiro Renato Archanjo de Castro, com 30 anos de experiência no setor elétrico, tem atuação na região de Americana e é diretor-geral de entidade que articula ações de valorização profissional e fortalecimento institucional junto às associações de engenheiros e arquitetos em todo o Estado.
Também se filiou ao PSD Luiz Andreoli, jornalista esportivo brasileiro com mais de quatro décadas de carreira destacada na televisão aberta e na mídia esportiva. É escritor, tendo publicado sua autobiografia As Histórias do Bonitão na TV e o livro Dossiê Cristão.
Ator, diretor e produtor cultural com 45 anos de carreira, Fabio Villa Verde iniciou sua trajetória ainda criança, no Sítio do Picapau Amarelo, da Rede Globo. Atuou na novela Vale Tudo e passou por diferentes emissoras de televisão.
A primeira-dama de Socorro, presidente do Fundo Social de Solidariedade, Solange Souza, tem 15 anos de atuação em projetos de gestão privada e pública. Na cidade, atuou pela criação da Casa do Autista de Socorro e da Casa da Mulher.
Alan de Sousa Bonfim, o Sargento Alan, é policial militar com mais de 28 anos de serviço no Estado de São Paulo. Foi vereador por dois mandatos em Ribeirão Pires, onde liderou iniciativas legislativas e implementou políticas públicas inovadoras na área de segurança. Também é vice-presidente da Frente Parlamentar de Segurança Pública do Estado.
A engenheira civil, educadora e empresária Rô Camolese foi vereadora de Piracicaba e secretária de Ação Cultural na cidade, com gestão voltada à promoção do acesso à cultura, incentivo à formação artística e valorização das tradições locais.
Já Mauricio Almeida é bacharel em Direito e em Relações Internacionais, com pós-graduação em Compliance e Integridade Corporativa, além de mestrado em Segurança Nacional pela Universidade de Haifa, em Israel. Cego desde o primeiro mês de vida, atua nas áreas jurídica e de tecnologia em projetos “globais”, segundo relatou.