
O governador Ratinho Jr. e o secretário da Saúde, Beto Preto
O governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), fez esta semana um apelo dramático à população do Estado. “Volto a pedir para quem puder ficar em casa. Que as pessoas evitem aglomerações, evitem viajar para as praias do Estado neste período de verão. Estamos fazendo o possível para dar conta, mas sem a ajuda de todos pode ser que os leitos não sejam suficientes. Que falte estrutura para atender a população local e também a itinerante em caso de necessidade extrema”, afirmou o governador.
O litoral do Paraná está com 100% de ocupação nos leitos exclusivos para tratamento de covid-19. Por isso, o governo estadual apela para que a população não viaje às praias para a celebração das festas de fim de ano e não provoque a disseminação do coronavírus com aglomerações.
Para evitar o estrangulamento do serviço de saúde, o governador Ratinho Junior também reforça o pedido para a população colaborar com o distanciamento social. O governo ressalta que o distanciamento físico, uso da máscara e higiene com álcool gel ou água e sabão ainda são as formas de prevenção da covid-19.
A principal preocupação com a virada do ano. Em 2019, Guaratuba, Matinhos e Pontal do Paraná reuniram mais de 2,5 milhões de pessoas durante o Réveillon. “Precisamos ter consciência de que será um Natal, um Réveillon e um verão diferentes. É necessário ficarmos isolados e seguros para que tudo volte ao normal o mais rapidamente possível”, completou Ratinho Junior.
Tentando controlar a capacidade da rede hospitalar, a administração vai aumentar o número de leitos disponíveis. O Hospital Regional de Paranaguá, maior complexo médico disponível na região, vai ativar 15 leitos de enfermaria e 5 UTIs (unidades de terapia intensiva). Com isso, vão existir 50 leitos adultos, sendo 25 para cada modalidade, todos voltados para o coronavírus. O centro médico tem ainda 14 UTIs para procedimentos gerais via SUS (Sistema Único de Saúde).
Apesar da ampliação de 67% na estrutura para a população adulta, a Secretaria de Estado da Saúde alerta para a seriedade do panorama atual da pandemia no Paraná. Houve um crescimento do número de casos e mortes em decorrência da doença a partir de novembro, com reflexo imediato também na região litorânea. “Não existem leitos de sobra, a estrutura é finita. O litoral conta com apenas um hospital que pode ser utilizado, em Paranaguá. Haverá reforço de segurança e fiscalização, mas o que fazer se mais de 2 milhões de pessoas decidirem se aglomerar”, diz o secretário Beto Preto.
Covid-19 no Paraná
Os números da Covid-19 no litoral são preocupantes. Os sete municípios têm a segunda maior incidência de casos da doença por 100 mil habitantes no Paraná. São 3.949, enquanto a média do Estado é de 3.113. Apenas a regional de Foz do Iguaçu, no Oeste, tem índice pior, com 5.769.
O mesmo vale para o recorte de mortes em razão do vírus. A média na região de praias é de 81,6 óbitos por 100 mil habitantes, contra 61,5 de todo o Paraná. Fica atrás apenas a 2ª Regional, que abrange a Região Metropolitana de Curitiba, com 87,6 de média.