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São Paulo anuncia primeira vacina contra a dengue em dose única

O secretário estadual de Saúde, Eleuses Paiva, comemorou o anúncio da aprovação do imunizante criado pelo Instituto Butantan

28 de nov de 2025

O secretário Eleuses Paiva: “Produção da vacina em território paulista demonstra nossa capacidade de liderar o desenvolvimento de biotecnologias estratégicas para o País”

Edição Scriptum com Agência SP

O secretário estadual de Saúde, Eleuses Paiva, liderança do PSD paulista, comemorou o anúncio da aprovação da Butantan-DV, vacina contra a dengue criada pelo Instituto Butantan, que será aplicada em brasileiros de 12 a 59 anos de idade. Com o parecer favorável, o Estado de São Paulo fez história como pioneiro no imunizante, o primeiro contra a doença oferecido em dose única no mundo. Eleuses descreveu a aprovação do imunizante como um dos maiores avanços científicos das últimas décadas. “A produção da vacina da dengue em território paulista demonstra nossa capacidade de liderar o desenvolvimento de biotecnologias estratégicas para o País, reduzindo a dependência de importações e assegurando autonomia na proteção da nossa população”, frisou o secretário.

A vacina deverá ser inserida no Programa Nacional de Imunizações (PNI). O início da vacinação e a faixa etária de aplicação ainda serão definidos pelo Ministério da Saúde. “A gente vem sofrendo muito com a dengue nos últimos anos e temos que celebrar a vacina brasileira. Por ser de dose única, vai nos ajudar muito na imunização, na cobertura vacinal. É a vitória da ciência, é a vitória da inovação, é a vitória do Butantan”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas durante o evento que oficializou a aprovação da vacina, promovido na quarta-feira (26) na sede do instituto, na capital paulista.

O Butantan havia iniciado a produção do imunizante em seu parque industrial, tendo mais de um milhão de doses prontas para serem disponibilizadas ao PNI. Além disso, fechou uma parceria internacional com a empresa chinesa WuXi para aumentar a produção. O acordo permitirá ampliar a capacidade de fornecimento para a entrega de aproximadamente 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026.

Durante o evento, o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, também ressaltou a importância da vacina contra a dengue. “É um feito histórico para a ciência e a saúde do Brasil. Uma doença que nos aflige há décadas agora poderá ser enfrentada com uma arma muito poderosa, a vacina em dose única do Instituto Butantan. Um desenvolvimento feito por cientistas, trabalhadores e voluntários brasileiros que poderá salvar vidas por todo o País.”

Em 2024, o Brasil registrou 6,5 milhões de casos prováveis de dengue – quatro vezes mais do que em 2023, de acordo com o Ministério da Saúde. Em 2025, até meados de novembro, foram notificados 1,6 milhão de casos prováveis. Desde o começo dos anos 2000, mais de 20 milhões de brasileiros já foram acometidos pela doença.

Ensaios e resultados

A aprovação da vacina é sustentada pelos resultados de cinco anos de acompanhamento dos voluntários do ensaio clínico de fase 3 encaminhados à Anvisa. No público de 12 a 59 anos, o imunizante mostrou 74,7% de eficácia geral, 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme e 100% de eficácia contra hospitalizações por dengue. O estudo, conduzido entre 2016 e 2024, avaliou a Butantan-DV em mais de 16 mil voluntários residentes em 14 Estados brasileiros.

Composto pelos quatro sorotipos do vírus da dengue, o imunizante se mostrou seguro e eficaz tanto em pessoas com infecção prévia como naquelas que nunca tiveram contato com o patógeno. A maioria das reações foi leve ou moderada, entre elas dor e vermelhidão no local da injeção, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos sérios relacionados à vacina foram raros e todas as pessoas se recuperaram.

O Instituto Butantan pretende ampliar a faixa etária de vacinação tanto para o público pediátrico quanto para aqueles acima de 60 anos. Para isso, já recebeu aprovação da Anvisa para avaliar a vacina da dengue na população de 60 a 79 anos. Se os resultados da pesquisa forem satisfatórios, será possível solicitar à agência reguladora a inclusão desse grupo nas recomendações do imunizante. Além disso, mais dados deverão ser coletados para avaliar a possível inclusão das crianças de 2 a 11 anos nas recomendações da vacina. Os estudos clínicos realizados já comprovaram que a vacina é segura nesta faixa etária.

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