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Canoas (RS): ‘150 mil pessoas perderam tudo’

Jairo Jorge (PSD), prefeito do município da região metropolitana de Porto Alegre,  diz que “a cidade virou um grande lago” e que a Prefeitura recebeu até a noite de quinta-feira 66 mil pedidos de resgate

10 de maio de 2024 · Canoas, Enchentes RS, Jairo Jorge, prefeituras

Em Canoas, foi necessário socorrer o equivalente a 43% da população

Edição Scriptum com jornal O Globo

A grande tragédia que está atingindo a população do Rio Grande do Sul mostra seus aspectos mais perversos no município de Canoas, de 348 mil habitantes, na região metropolitana de Porto Alegre. O prefeito Jairo Jorge (PSD) diz que foi necessário evacuar 150 mil pessoas até a quinta-feira (9), o que representa 43% da população. E, além de alimentar, tratar e abrigar as famílias que perderam tudo o que tinham, há novas ameaças à frente.

Com a temperatura caindo na região, a preocupação imediata do prefeito é com o frio nos abrigos. “Deve fazer cinco graus aqui e a gente não tem colchão, falta cobertor. Estamos precisando de doações. Estamos falando em 150 mil pessoas que perderam tudo e que estão em centros públicos e privados”, diz.

Em entrevista ao jornal O GLOBO, Jairo Jorge afirmou que o município, principalmente na parte Oeste, “virou um grande lago”. Segundo ele, “a gente transformou a cidade em um grande abrigo. Temos uma situação muito caótica. Dobrou a população da cidade na área seca, porque a outra parte do município teve que ser removida. É uma situação difícil, as casas estão destruídas. É um cenário de guerra”, contou.

Canoas conta com 97 abrigos para atender às vítimas da enchente. Das 27 unidades básicas de saúde, o prefeito diz ter perdido 19. Das quatro Unidades de Pronto Atendimento, só sobrou uma. “Obviamente, vamos precisar reconstruir a cidade. E estamos falando de bilhões de reais. Estamos numa situação caótica. Tivemos uma chuva fora do comum, atípica, extraordinária. Nenhum meteorologista podia imaginar o que aconteceu”, explica.

Ainda segundo Jairo Jorge, 32 mil cães, gatos e cavalos foram resgatados, dos quais 12 mil sem tutores. Por isso, ele também pede doação de ração para esses animais. Pelos cálculos da Prefeitura, a água deve continuar baixando cerca de um metro por semana, o que significa que ainda levará, segundo o prefeito, entre um ou dois meses para o nível se normalizar. “Temos que pensar em políticas mais robustas que deem capacidade de reconstrução. Perdemos escolas, unidades de saúde. Tudo o que a Prefeitura tinha, tudo está perdido. É preciso uma nova mudança, inclusive das políticas. Nós vamos precisar da nação para a reconstrução”, concluiu.

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