
Fávaro: “O projeto é viável e tem capacidade de se tornar referência para outros empreendimentos”
Proposta feita pelo vice-governador do Mato Grosso, Carlos Fávaro, do PSD, pode destravar uma importante obra no Estado: a pavimentação da rodovia que atravessa a reserva indígena conhecida como Marãiwatsédé, na região de Bom Jesus do Araguaia e São Félix do Araguaia. Fávaro sugere que, para liberar o asfalto no trecho da BR-158 que corta a reserva, onde vivem cerca de mil xavantes, seja paga uma taxa aos índios, com a instalação de um pedágio.
A ideia do vice-governador mato-grossense mereceu destaque na edição deste domingo (27) do jornal O Estado de S. Paulo. Fávaro defende que uma concessionária assuma a gestão da BR-158 e seja responsável por repassar uma parte do valor arrecadado para um fundo administrado pelos próprios índios. Conforme revela o Estadão, a sugestão foi apresentada em uma reunião realizada com a presença de representantes do governo do Estado, lideranças indígenas, e integrantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e da Fundação Nacional do Índio (Funai).
Fávaro, que é secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso, diz que o objetivo da ideia é provocar um debate. “Está na hora de tratarmos desse tema sem demagogia, sem hipocrisia. Não temos mais que dar espelhinho para índio. O que precisamos oferecer é dignidade, uma proposta que leve acesso à saúde, a uma faculdade, para que ele tenha direitos como qualquer cidadão”.
Embora a Lei Federal 6.001, de 1.973, não permita a colocação de pedágio dentro de reserva indígena, o vice-governador destaca que “o projeto é viável e tem capacidade de se tornar referência para outros empreendimentos – estradas, usinas, mineração – que tenham impacto direto nas terras dos índios”.
O trecho da BR-158 que fica dentro da reserva xavante tem 114 quilômetros de extensão. É a única rota de escoamento de grãos da região nordeste de Mato Grosso, área de maior crescimento do agronegócio no Estado. Aberta há mais de 30 anos, a estrada ainda está em leito natural, repleta de atoleiros e pontes de ferro apodrecidas.