30 de jun de 2026
· Eduardo Leite, energia, Rio Grande do Sul, transição energética

O governador Eduardo Leite: agenda energética representa um compromisso com a sustentabilidade e uma oportunidade de desenvolvimento
Edição Scriptum com Governo do Rio Grande do Sul
Lideranças empresariais, autoridades, especialistas, investidores e representantes da academia se reuniram em Porto Alegre, na terça-feira (30), para debater as oportunidades da transição energética e os avanços do Rio Grande do Sul na construção de uma economia de baixo carbono. No evento, intitulado Novas Energias, o governador gaúcho, Eduardo Leite (PSD), destacou a importância de consolidar o Estado como protagonista na agenda energética sustentável.
“O Rio Grande do Sul vem construindo, ao longo dos últimos anos, uma jornada consistente para se consolidar como protagonista na transição energética. O papel do Estado é criar as condições para que os investimentos aconteçam, organizando informações, produzindo estudos, oferecendo segurança jurídica, agilizando o licenciamento com responsabilidade ambiental e estimulando novos empreendimentos”, disse Leite.
Com foco nas cadeias de etanol, biometano e hidrogênio verde, o encontro teve como objetivo evidenciar o potencial do Estado como um ambiente estratégico, competitivo e preparado para receber investimentos e impulsionar novos negócios sustentáveis, posicionando o Rio Grande do Sul como referência nacional no tema.
“Essa agenda representa não apenas um compromisso com a sustentabilidade, mas uma grande oportunidade de desenvolvimento econômico. Por isso, a transição energética é um dos pilares do nosso Plano de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Inclusivo, porque acreditamos que o Estado reúne todas as condições para liderar esse movimento e atrair investimentos em áreas como biometano, hidrogênio verde, etanol e outras energias renováveis”, ressaltou o governador.
Política pública
A secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, reforçou o compromisso do governo com a construção de políticas públicas estruturantes para o setor. “O Rio Grande do Sul está estruturando, com base técnica e diálogo com os diferentes setores, uma agenda consistente para a transição energética. Temos ativos importantes, capacidade técnica e uma base produtiva consolidada que nos permitem avançar com solidez nas novas energias. Esse movimento, de ouvir os diferentes atores das cadeias, é fundamental para posicionar o Estado como um destino competitivo para investimentos e inovação na economia de baixo carbono, além de criar um ambiente favorável ao desenvolvimento, com segurança jurídica, previsibilidade e estímulo ao investimento”, destacou Marjorie.
Potencial gaúcho
O Rio Grande do Sul reúne características que o colocam entre os Estados brasileiros com maior potencial para liderar a transição energética baseada em combustíveis renováveis. De acordo com o Balanço Energético Estadual 2015-2024, além da expansão das fontes renováveis na matriz energética, o Estado tem potencial estimado para produzir 2,6 milhões de metros cúbicos de biogás por dia, dos quais cerca de 1,5 milhão de metros cúbicos podem ser convertidos em biometano.
Produzido a partir de resíduos urbanos, industriais e da agropecuária, o biometano apresenta composição semelhante à do gás natural fóssil, podendo substituí-lo em aplicações industriais, no transporte e em sistemas de aquecimento, agregando valor a resíduos que antes não tinham aproveitamento energético.
O levantamento também destaca que o Estado possui elevado potencial eólico e solar, criando condições favoráveis para a implantação de projetos de hidrogênio verde, cuja produção depende de grande disponibilidade de energia elétrica renovável.
Nos biocombustíveis, o Rio Grande do Sul já ocupa posição de destaque nacional ao ser o maior produtor brasileiro de biodiesel, contando com nove usinas autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), com capacidade instalada de 9.150 m³ por dia. O etanol também desempenha papel estratégico na descarbonização da matriz de transportes. Embora o Estado ainda não produza etanol combustível em escala comercial e dependa de importações para abastecer o mercado interno, sua importância tende a crescer com o aumento gradual da mistura obrigatória à gasolina previsto pela Lei do Combustível do Futuro. Além disso, o etanol permanece como uma das principais alternativas de redução das emissões de carbono no setor de transportes, reforçando seu papel na transição para uma economia de baixo carbono.
O presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki, também ressaltou o papel estratégico da articulação entre setor público e iniciativa privada para viabilizar novos investimentos. “O Rio Grande do Sul reúne os elementos que os investidores buscam para desenvolver projetos de transição energética: disponibilidade de recursos, uma base industrial diversificada, capital humano qualificado, ambiente de inovação e compromisso do poder público com uma agenda de longo prazo. Nosso papel é transformar esse potencial em investimentos, conectando empresas às oportunidades e oferecendo um ambiente favorável para que novos empreendimentos se estabeleçam e cresçam no Estado”, disse Prikladnicki.
Espaços de Conexão
Um dos destaques do evento foram os Espaços de Conexão, concebidos como ambientes de diálogo qualificado entre os principais atores das cadeias produtivas. Divididos por temática, etanol, biometano e hidrogênio verde, os encontros reuniram representantes de diferentes segmentos para identificar oportunidades, mapear desafios e propor ações concretas para o desenvolvimento do setor no Estado.
A proposta foi ir além do debate, promovendo a construção coletiva de soluções e o alinhamento de agendas entre governo, empresas, academia e investidores. As contribuições levantadas nas salas serão sistematizadas como insumo para o diagnóstico estadual e consideradas na formulação da Política de Transição Energética do Rio Grande do Sul.