O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, presidente do PSD, esteve na terça-feira, 26, em Brasília e se lançou como candidato ao governo paulista nas eleições de 2014. “Eu gostaria de ter essa oportunidade”, declarou ao jornal Folha de S. Paulo. “Todos sabem que a minha candidatura tem naturalidade.”
Kassab afirmou que o apoio que seu partido está prestes a formalizar à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) não impedirá o PSD de ter candidato próprio ao Palácio dos Bandeirantes.
“As circunstâncias estaduais são diferentes da circunstância nacional”, disse. “Sonho em um dia ter a oportunidade de oferecer o meu nome, o meu trabalho, para ser governador de São Paulo.”
Leia a seguir íntegra e veja os vídeos da entrevista concedida à Folha de S. Paulo pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD:
Folha– Quando o PSD termina o processo de coleta de informações e posições de seus 27 diretórios estaduais a respeito do apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff?
Gilberto Kassab – O processo de consulta não é em relação à reeleição da presidente Dilma Rousseff. É em relação à posição do partido nas eleições de 2014. O que existia e hoje é uma tendência, que vai se confirmando -porque antes era um sentimento e agora já é o início de uma confirmação- é o sentimento de que a grande maioria do partido prefere caminhar com a reeleição da presidenta Dilma.
Quanto diretórios já falaram sim a essa posição?
Dos 27 nós já tivemos a manifestação de três.
Quais são eles?
Rondônia, Rio Grande do Norte e começamos pela Bahia. A Bahia deu sorte para o partido. Nós começamos o partido na Bahia. E a Bahia foi o primeiro Estado a se manifestar através do presidente [do PDB no Estado], o vice-governador Otto Alencar.
Esses três diretórios falaram que desejam apoiar em 2014 a reeleição da presidente Dilma?
Esses três diretórios significam: os deputados estaduais, os federais, os prefeitos, os militantes. É uma posição de todos. Eles entendem que o melhor para o partido será caminhar com a reeleição da presidenta Dilma. Cada um com as suas peculiaridades. Um vai caminhar numa aliança local, outro vai procurar outro entendimento.
Dos outros diretórios, quantos vão se manifestar nos próximos dias?
Já tem outros três. O diretório do Amazonas, do Ceará e de Mato Grosso que pediram a reunião para se manifestar porque já estão com as suas posições praticamente consolidadas.
Que deve ser…?
Não sei ainda. Porque seria uma antecipação e não estou autorizado. Cada Estado que vai falar.
De acordo com o seu melhor juízo, a maioria dos diretórios optará por apoiar a reeleição da presidente Dilma?
Eu tenho um sentimento, como presidente do partido, que a maioria do partido que caminhar com a Dilma. Sendo um partido novo, os cuidados que o presidente deve ter, deverão ser redobrados. Para que a gente tenha a oportunidade de somar ao partido. Então, esse sentimento eu quero que seja traduzido numa posição formal de cada Estado. Para que a gente tenha tranquilidade, todos juntos, de saber que estamos caminhando com a maioria do partido.
Uma vez decidido que tendência de apoiar a presidente Dilma, uma vez manifestada essa opinião de todos os diretórios, essa posição se torna irreversível?
Se torna. Por que o processo político precisa ser muito maduro. Não tem nenhum sentido, com pouco mais de um ano, a pouco mais de um ano da reeleição se ter uma posição hoje e daqui a alguns meses mudar. Perderíamos até o respeito da opinião pública. Salvo algum caso gravíssimo, que não vai acontecer.
A sua expectativa é que os 27 diretórios já tenham se manifestado até quando?
Nosso esforço será no sentido de estender no máximo até o final do primeiro semestre.
Até o final do primeiro semestre deste ano [2013]?
Esse será o nosso esforço. Não é algo impositivo, mas é uma meta. O que é razoável, Fernando, porque nós estamos falando numa antecedência além de 12 meses, portanto, com mais de um ano de antecedência em relação ao dia da eleição.
É possível que já em março o Senado vote a criação da Secretaria das Micros e Pequenas Empresas, que terá status de ministério. E é sabido aqui em Brasília que a presidente Dilma deve convidar para esse cargo Guilherme Afif Domingos, do PSD. Isso já no mês de março, possivelmente. Só que o apoio do PSD a ela só vai ser dado, pelo que o sr. está dizendo, no final de junho. Estão atreladas essas duas coisas?
De maneira alguma. É inaceitável para o partido a prática do toma lá dá cá. Não existe nenhuma vinculação. O partido hoje é independente em relação ao governo da presidente Dilma. Ser independente significa: tem pessoas que estão apoiando ostensivamente e tem pessoas que nem sempre apoiam o seu governo. Não existe compromisso, até por conta das origens de cada um. Caso a presidente quiser, no caso de ela entender que algum nosso filiado deva ser convidado para ocupar um cargo, para nós é uma honra muito grande. Mas jamais significará um compromisso de estar apoiando a sua reeleição. O nosso compromisso está baseado nessas consultas e na manifestação dos nossos diretórios.
Mas não parece contraintuitivo imaginar isso…? Pois a presidente convidará um membro do seu partido, em março, e no depois em junho o partido anuncie que vai apoiar a sua reeleição...
Ela vai saber que ao convidar um quadro do partido o partido não está comprometido com a sua reeleição. Não está. O que nos comprometerá com a sua reeleição é a manifestação dos diretórios estaduais.
Mas ela certamente vai necessitar de alguma sinalização…
Não terá, Fernando. A nossa sinalização será fruto dessas consultas. Eu volto a dizer. Até, afirmo: o sentimento é muito grande de que nós vamos caminhar com ela. Mas a manifestação formal não virá de nenhuma troca de cargos. Nós temos felizmente, e para nós é motivo de muito orgulho, bons cargos que estão gabaritados para ser ministros.
Quem são eles?
Temos o Afif, que todos dizem que pode ser ministro de qualquer que seja o presidente. Temos o Henrique Meirelles. Temos a Kátia Abreu. Temos o Paulo Simão. Tô dizendo os que têm sido veiculados. Mas, para nós é sempre uma honra muito grande ter alguns dos nossos quadros sempre lembrados para ser ministro. Mas a nossa decisão de estar apoiando ou não a reeleição da presidenta Dilma não está vinculada a essa questão. Isso fica bem claro porque a presidenta tem ciência disso. O governo tem ciência disso. E para nós é o que basta.
Durante a criação do seu partido, o PSD, o sr. teve uma relação próxima com vários outros partidos. E um deles, que teve uma relação muito amistosa com o sr., foi o PSB, Partido Socialista Brasileiro, do governador de Pernambuco, Eduardo Campos -que agora tem demonstrado que pode ser candidato a presidente no ano que vem. Por que o PSD não poderia eventualmente apoiar Eduardo Campos?
O Eduardo Campos eu diria que é talvez um dos maiores líderes da nossa geração. Nem é uma revelação, porque há tempos ele manifestou essa condição. Um bom governador, um bom ministro. Uma pessoa com uma formação muito adequada para a vida pública. E que inquestionavelmente está habilitado para ser presidente da República. Se este é o momento, eu não sei. O que eu posso lhe afirmar, que ele mesmo tem dito é que vai aguardar o próprio transcorrer deste ano. O transcorrer da administração Dilma. O tempo do PSB não é o tempo do PSD. Porém, a nossa admiração por ele é muito grande. Eu entendo que o Eduardo Campos será presidente da República, mas eu não sei se este é o seu momento.
O sr. que as chances de Eduardo Campos viabilizar a candidatura dele a presidente são pequenas?
Olha, seria uma deslealdade uma manifestação minha nesse sentido. Porque eu não conheço o trabalho que ele está fazendo. Eu posso lhe dizer que pelas suas declarações públicas ele não tem uma decisão de sair candidato. Ele pode sair como pode não sair. Em relação à posição do PSD, oficialmente já temos três Estados que não querem acompanhar o Eduardo Campos. Querem acompanhar a Dilma.
São Paulo. O prefeito Fernando Haddad, que o sucedeu na prefeitura, tem dado a entender, várias vezes, que muito do que acontece de errado ou dá errado em São Paulo é culpa de administrações anteriores, sobretudo da sua. O sr. é culpado por tudo o que acontece em São Paulo?
Fernando, eu acho que o correto é não olhar para trás. É olhar para frente. O importante é você apresentar o seu projeto e ter uma gestão eficiente dos recursos públicos. Eu, quando assumi a prefeitura, não fiquei me recordando do que a Marta [Suplicy] deixou de fazer. Eu olhei para frente.
Aliás, ao contrário, enalteci as coisas que ela fez. A cidade de São Paulo é uma cidade muito difícil, uma cidade com muitos problemas. Eu não consegui resolver todos os problemas. O Fernando Haddad não vai conseguir resolver todos os problemas da cidade e nem o sucessor conseguirá resolver todos os problemas. É uma tarefa, é uma missão para muitos prefeitos.
Então, o importante é que ele apresente o seu projeto, que ele consiga utilizar com eficiência os seus recursos, porque, ao final do seu mandato, ele vai ter que explicar o que fez. E a cidade também vai saber o que não fez.
Ele acaba de demitir algumas centenas de funcionários da Prefeitura de São Paulo que haviam sido nomeados pelo sr. O sr. acha que é uma espécie de vendeta, uma atitude contra aquilo que o sr. realizou na prefeitura?
Não. Não é demissão. O prefeito eleito, depois de eleito uma de suas principais responsabilidades é fazer a nomeações dos cargos de confiança. O que ele está fazendo apenas é colocar as pessoas da sua confiança nos cargos de confiança. As pessoas que ele está trocando, inclusive, algumas foram nomeadas no próprio governo da Marta. Então não tem essa preocupação. É correto que ele faça essa substituição. Em relação a cargos de confiança o termo não é nem “demissão”, é “substituição”.
O sr. acha que foram apenas dois meses, mas nesses dois meses de mandato, Fernando Haddad tem ido bem, médio ou ruim?
O importante é você, ao longo do primeiro semestre, observar. É muito difícil em uma cidade complexa como São Paulo, ao final de dois meses fazer uma análise do comportamento de um prefeito. Às vezes eu tenho um pouco de preocupação com membros da sua equipe, que entendem que os problemas que tem a cidade são problemas herdados de uma administração. É um grande equívoco, tamanha infantilidade, que causa até, em alguns formadores de opinião, uma certa de preocupação com a falta de maturidade na afirmação.
Os problemas que que existem em São Paulo são problemas que ainda não puderam ser solucionados ou enfrentados. Outros foram enfrentados. Outros foram solucionados. Encontramos São Paulo com mais de 80% das crianças estudando em escolas com três turnos. Hoje tem só 5%. Encontramos São Paulo com 60 mil crianças em creche. Deixamos com mais de 200 mil crianças. Mas muito também deixou de ser feito. A cidade tem uma capacidade orçamentária finita. Os orçamentos são limitados. Então não passa pela cabeça de ninguém, todos têm bom senso… de que uma gestão vá resolver todos os problemas. A cidade tem problemas, eles estão sendo enfrentados e, ao final da gestão de qualquer que seja o prefeito, ele vai prestar contas do que ele fez com o recurso. E, onde ele me enfrentou, [ruído] porque ele me enfrentou…
…falou que alguns integrantes da gestão que interpretam como culpa da gestão anterior os problemas estão cometendo um ato de infantilidade. É isso?
Isso é público, né? São manifestações, entrevistas de pessoas que apresentam como espanto problemas da cidade. Espanto é as pessoas acharem que São Paulo não tinha problemas. E como tem. E como continuarão tendo.
A impressão que eu tenho é que as pessoas que falam isso têm anuência do prefeito. Essas que atuam com infantilidade como o sr. disse…
Caberá à opinião pública, ao eleitor, se manifestar daqui a quatro anos. As entrevistas…
O sr. acha que o prefeito poderia intervir e dizer que não é bem assim?
Todas as entrevistas estão sendo arquivadas. É evidente. O eleitor arquiva na sua memória. E, ao final da gestão do Haddad, como foi ao final da minha gestão, você tem que mostrar o que fez e o que não fez. É isso que a gestão dele vai precisar apresentar ao final da gestão.
Vou fazer uma analogia aqui: se alguns secretários ou integrantes da gestão Haddad colocam a culpa na gestão Kassab e estão sendo infantis como o sr. disse, então o prefeito está anuindo com essa infantilidade?
Não. Eu vi uma entrevista dele no “Correio Braziliense”, foi a única que eu vi assim na plenitude, ele deu uma entrevista muito ampla e com muito bom senso. Mostrando que São Paulo tem problemas e nem todos puderam ser solucionados. Então, recentemente, foi da parte dele analisada a questão do semáforo. Precisa haver modernização. Importante é registrar que já houve modernização e falta investimento para ser feito.
Nos últimos dias, o ex-presidente Fernando Henrique falou que a presidente Dilma tem sido ingrata [ruído]. A presidente Dilma falou que não tem herança nenhuma que tenha recebido dos governos anteriores, do PSDB. O ex-presidente Lula disse que o melhor a fazer, para Fernando Henrique Cardoso, seria ficar quieto. O que o sr. acha dessas declarações?
O governo Fernando Henrique apresentou enormes avanços para o Brasil. Em especial no que diz respeito à economia. O governo Lula também apresentou enormes avanços. E a presidenta Dilma também.
Mas a presidente Dilma disse que não houve nenhuma herança boa que ela tenha recebido do PSDB...
É muito difícil você fazer uma análise sobre manifestações quando o tempo de manifestação é curto. Ela, num discurso partidário de comemoração de dez anos de poder, ela falou muito mais para o seu público, no sentido de festejar os dez anos. E é evidente que num clima de campanha. Mas, inegavelmente, o Brasil tem avanços com os dois governos. O PSD reconhece os avanços dos dois governos. E, em especial, da presidenta Dilma. Essa é a razão de eu estar aqui manifestando o meu sentimento, como eu tenho feito nas últimas semanas, de que a probabilidade de caminharmos com a sua reeleição é muito grande.
Mas esse discurso político de palanque não tem também que ter uma certa preocupação com acuidade, com a precisão e não falar coisas que talvez não tenham uma relação direta com a realidade?
Ambos já tiveram, em outras oportunidades, manifestações diferentes. Então você vai, na sua análise, dar uma preferência às manifestações anteriores ou às atuais? Eu prefiro dar prioridade às manifestações anteriores, é muito mais confortável e muito melhor para o país.
Em 2014 o PSD terá candidato próprio ao governo de São Paulo?
A diretriz do partido, em nível nacional, é no sentido de estimular e incentivar todos os Estados a ter uma candidatura própria a governador, para fortalecer o partido.
Em São Paulo, o sr., Gilberto Kassab, é candidato a governador?
Em São Paulo é diferente. Vai haver um esforço para que tenhamos uma candidatura própria. Todos sabem que a minha candidatura tem naturalidade. Temos também outros quadros, como próprio vice-governador, meu amigo Guilherme Afif Domingos, Mas eu respondo com uma pergunta, Fernando. Depois de ter sido prefeito de São Paulo por 7 anos, vereador, deputado estadual, deputado federal, quem não gostaria de ter a oportunidade de ocupar essa responsabilidade de ser governador de São Paulo?
Se essa circunstância acontecer, se essa missão surgir, eu aceitaria de bom grado.
O sr. então sonha um dia ser governador de São Paulo?
Sonho em um dia ter a oportunidade de oferecer o meu nome, o meu trabalho, para ser governador de São Paulo.
E em 2014 o seu partido vai ter candidato próprio em São Paulo?
O PSD vai trabalhar para ter candidatura própria em São Paulo.
Se o PT pedir ao PSD que o apoio na eleição para o Palácio dos Bandeirantes essa possibilidade é remota ou não?
As circunstâncias estaduais são diferentes da circunstância nacional. No plano nacional existe uma conscientização por parte do partido que é muito difícil a candidatura própria [a presidente da República]. Diferente dos planos estaduais, onde existe uma conscientização de que é muito importante ter candidaturas próprias a governador. E São Paulo é o maior Estado do país. Portanto, é importante que São Paulo se esforce para dar o exemplo. Em especial sendo o Estado de São Paulo o berço do presidente nacional do partido.
É mais fácil então o PSD acabar aprovando internamente a reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014 do que apoiar um candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes?
Aperfeiçoando a sua afirmação, é natural, é uma tendência do partido apoiar a reeleição da presidenta Dilma e no plano estadual ha uma dificuldade grande para que sejam feitas alianças não tendo candidato a governador. Qualquer que seja o Estado, também em São Paulo.
O sr. gostaria muito de ser governador?
Eu gostaria de ter essa oportunidade.
Mais do que ser senador?
É uma honra muito grande ser senador por qualquer Estado, e também por São Paulo. Mas o partido vai dar uma prioridade para a disputa nos cargos majoritários nos governos estaduais.