
Hugo Leal: “A fiscalização precisa ser firme, mas a consciência precisa vir antes da blitz”
Edição Scriptum
Autor da Lei Seca, que está completando 18 anos, o deputado federal Hugo Leal, do PSD do Rio de Janeiro, comemora os avanços registrados na segurança do trânsito no Brasil, mas alerta para a necessidade de continuar investindo na educação dos motoristas brasileiros.
Os bons resultados trazidos pela Lei Seca estão bem claros nos indicadores de segurança viária. Em todo o Brasil, desde a entrada em vigor da Lei Seca, em junho de 2008, até maio de 2025, foram registradas mais de 3,2 milhões de infrações relacionadas à combinação entre álcool e direção, segundo levantamento da Secretaria Nacional de Trânsito.
Desse total, cerca de 1,18 milhão correspondem a autuações por dirigir sob influência de álcool ou outra substância psicoativa, e aproximadamente 2,1 milhões a recusas ao teste do bafômetro ou a procedimento equivalente. A legislação diferencia as condutas, mas aplica a ambas penalidades administrativas severas, como multa gravíssima multiplicada por dez e suspensão do direito de dirigir por 12 meses.
A série histórica nacional mostra o tamanho da transformação desde 2008: a Lei Seca consolidou a tolerância zero, fortaleceu os mecanismos de responsabilização e ajudou a transformar um comportamento antes relativizado em infração grave e amplamente condenada.
Mudança cultural
Contudo, os números mostram também que a mudança cultural precisa ser renovada continuamente. Em 2025, as infrações relacionadas à Lei Seca no país chegaram a 452.977 registros. Já em 2026, até abril, foram 160.678 infrações, média de aproximadamente 1.339 por dia, em ritmo superior ao observado no ano anterior.
A próxima etapa, segundo Hugo Leal, exige campanhas educativas mais frequentes, comunicação direta com os grupos de maior risco, ações em bares, eventos, escolas, empresas e universidades, além de operações orientadas por dados, especialmente em fins de semana, madrugadas, feriados, Carnaval e festas de fim de ano.
Para o deputado, os 18 anos da Lei Seca devem ser vistos como um marco de sucesso, mas não como ponto de chegada. “A fiscalização precisa ser firme, mas a consciência precisa vir antes da blitz. O ideal é que o motorista não beba e dirija porque sabe que pode matar, não apenas porque teme ser multado”, ressalta Hugo Leal.
Vidas salvas
“A Lei Seca valeu a pena porque já salvou mais de 60 mil vidas, mudou hábitos e deixou claro que beber e dirigir não é um direito individual, é uma ameaça coletiva. Mas os números recentes mostram que não podemos achar que essa mudança está garantida para sempre. Depois da pandemia, parte da população voltou a misturar direção e álcool. Por isso, precisamos renovar a conscientização, reforçar a fiscalização e lembrar todos os dias que a Lei Seca existe para proteger vidas”, afirma Hugo Leal.