Loading

Pesquisar

ELEIÇÕES

Merísio quer convocar 5 mil PMs da reserva em SC

Conter a criminalidade é uma das principais bandeiras do candidato do PSD ao Governo do Estado

15 de ago de 2018

Merísio propõe convocar policiais da reserva que tenham aptidão física e que voluntariamente se dispuserem a voltar a usar farda

Edição: Scriptum

Uma das principais bandeiras do administrador de empresas Gelson Merísio, candidato do PSD ao Governo de Santa Catarina, é a segurança pública. Ele defende, por exemplo, a reconvocação de 5 mil policiais militares da reserva como uma das formas de conter o crescimento da criminalidade no Estado. A segurança foi tema dominante da longa entrevista que Merísio concedeu esta semana ao Diário Catarinense, um dos principais jornais do Estado.

O candidato do PSD é deputado estadual desde 2005 e tenta pela primeira vez chegar ao governo catarinense. Em seu currículo, tem passagens por importantes instituições, como a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) e o Sebrae, como presidente do Conselho Deliberativo. Ele presidiu a Assembleia Legislativa do Estado por três mandatos.

Como será o seu governo?

O governo será enxuto, ouvindo a opinião daqueles que participam conosco da eleição, mas tendo no servidor efetivo o carro chefe dos procedimentos administrativos. Queremos trazer 5 mil policiais no primeiro ano para o processo efetivo. Convocando policiais da reserva que tenham aptidão física e voluntariamente se dispuserem a voltar a usar farda, com remuneração específica para isso.

O senhor já tem uma avaliação? Quantos podem voltar à ativa?

Pesquisamos primeiro o interesse dos policiais que estão na reserva. Em segundo, a disponibilidade de policiais que tenham aptidão física para retornar aos trabalhos. Como a aposentadoria se dá em um tempo muito curto, 25, 30 anos de atividade funcional, existe um número muito grande de policiais entre 45 e 60 anos com aptidão física demonstrada por eles e vontade de voltar. Porque o policial tem muito apego à farda. Então, nós temos que construir uma situação legal que lhes dê absoluta tranquilidade no status de aposentado no regime atual e que lhe permita uma nova carreira com remuneração específica e com economia para o Estado. Porque a formação do policial na academia custa R$ 80 mil cada um e mais 11 meses de treinamento. Isso não quer dizer que se encerram os concursos públicos, nós continuaremos a mesma política que vinha sendo feita agora para renovar a tropa. Mas para aumentarmos de 10 mil para 15 mil em um tempo curto, só trazendo da reserva, porque não há condição de formação que suplante os que saem para a aposentadoria e aqueles que entram para o serviço público de forma rápida.

Haverá também estímulo salarial?

Será uma nova remuneração, com base em um critério que será estabelecido e que lhes traga vantagem financeira para voltarem ao trabalho, além da segurança, do equipamento que vai ser dado, do processo oficial. O que ocorre hoje: o policial se aposenta com 45, 50 anos, e vai para uma atividade privada, muitas vezes sem equipamentos de segurança e correndo muito mais riscos do que se estivesse exercendo uma função de Estado, que é a vocação do policial, é a farda que traz um poder intrínseco para ele. Tenho convicção que com diálogo, com absoluta transparência, será o caminho para recompormos rapidamente o efetivo.

Quanto essa chamada pelos policiais da reserva pode contribuir com a segurança pública?

Temos hoje 10 mil policiais. Precisaríamos de no mínimo 15 mil, associado a um processo de investimento pesado em tecnologia. Nós precisamos de mais de R$ 2 bilhões de investimento nos próximos três anos em tecnologia. Segurança pública não é só o policial. É ele, o juiz, o promotor, o prefeito. É o conjunto da sociedade que precisa tomar uma decisão. Ou enfrentamos o crime organizado agora e asfixiamos um processo que está crescendo, ou vamos ser o próximo Rio de Janeiro ou Rio Grande do Sul. O Rio tem 49 homicídios para cada 100 mil habitantes. O RS tem 28. Nós já estamos com 12 e tínhamos um histórico de seis (homicídios a cada 100 mil habitantes) até 10 anos atrás. Nós temos que ter um comparativo para nós mesmos, não com os outros Estados. Dizer apenas que nós temos os melhores indicadores não quer dizer que temos sensação de segurança. E esse para mim é o maior patrimônio do catarinense. Vai impactar na saúde, na educação e especialmente no turismo. Se fala muito que nós temos um Estado turístico. Por que a Jamaica tem um número absurdo de turistas? Porque tem segurança. Infraestrutura nós temos, belezas nós temos. Qual o aparato que falta para sermos uma grife de venda para o mundo? Segurança na sua plenitude. É claro que todas as outras áreas são importantes, especialmente a saúde, a educação. Agora, se não tivermos sensação de segurança, todas as outras áreas serão afetadas. Tenho dito que nós, a sociedade, temos vivido em um regime semiaberto. Trabalhamos de dia e às 18h vamos para casa, ligamos a cerca elétrica, fechamos os muros e dormimos até o dia seguinte para poder voltar ao trabalho. Isso tem que acabar.

O que o senhor vai mudar na política do sistema prisional?

Não se trata de quem comandou, se trata de um modelo que está equivocado. Nós perdemos a capacidade de fazer o gerenciamento dos presídios. Como há superlotação e não há mais o filtro entre o criminoso que está preso por vender meio quilo de maconha e o que cometeu um latrocínio com 100 anos de pena, você tem um guri de 18 anos que está lá por um crime de menor impacto e que sai de lá como escravo do crime organizado. Um envolvimento efetivo com juízes de execução penal, com o MP, com o Estado, para não só a ampliação no número de vagas, mas também da pena alternativa para aqueles que não oferecem risco à vida, é um processo de construção. Transferir responsabilidade não serve mais. A sociedade é uma só.

O senhor falou da convocação de policiais, da aplicação de recursos em segurança pública. De onde enxugar para poder pagar isso?

Temos 1,2 mil cargos comissionados, eles pagam 2,5 mil salários de policiais. Temos hoje 108 departamentos de recursos humanos no Estado para apenas um empregador. Temos um processo administrativo que ainda pode evoluir muito com o enxugamento de custos. Isso tem que ser revertido em serviços. E o serviço prioritário neste momento é o da segurança pública. Na questão de investimentos, temos áreas que precisarão ser refeitas de forma a gerar receitas novas para o Estado.

Informações Partidárias

Notícias