
O deputado Cássio Soares: “Temos que acompanhar, fiscalizar, dar respostas e exemplos”
O deputado estadual Cássio Soares (PSD) será o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instituída pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais para apurar possíveis irregularidades na vacinação de servidores da Secretaria de Estado de Saúde. O caso gerou muita repercussão e surgiu após denúncia de que 828 funcionários da Saúde estadual que podem ter furado fila e recebido o imunizante contra covid-19 mesmo sem compor os grupos prioritários para a vacinação. Há informações de que outros 1.852 assessores da pasta, lotados no interior, também vão ser alvos da Comissão de Inquérito.
Como relator, Cássio Soares, que lidera o bloco parlamentar Minas São Muitas, de orientação independente, ficará responsável por elaborar o texto final da CPI, detalhando as conclusões obtidas durante o processo de investigação. A presidência ficará a cargo de João Vítor Xavier (Cidadania).
Cássio Soares garantiu que seu trabalho não vai afetar a luta contra o coronavírus. Apesar disso, garantiu buscar apuração para o caso das vacinas distribuídas a servidores do governo. “Temos a responsabilidade de não interferir nos trabalhos de combate à pandemia, mas o que aconteceu foi gravíssimo. Fatos novos — e lamentáveis — vêm chegando a todo momento. Temos, por obrigação, acompanhar, fiscalizar, dar respostas e exemplos a todo o Brasil”, pontuou.
Para o presidente da Assembleia mineira, Agostinho Patrus (PV), não há viés político na CPI. “Alguns tentam politizar o tema e questionam se a CPI é para prejudicar o governo. Para mim, a CPI é para ajudar o governo a investigar uma denúncia grave, corrigir o erro e responsabilizar culpados. Tenho certeza que o governo Zema apoia a CPI”.
O caso dos “fura-filas” culminou na exoneração, na semana passada, de Carlos Eduardo Amaral, secretário de Saúde há pouco mais de dois anos. Ele admitiu ter sido vacinado, mas alegou não ver “ilícito ou imoralidade” no ato. Para o lugar dele, foi nomeado Fábio Baccheretti, ex-comandante da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig).
Atuação independente
Eleito deputado estadual pela primeira vez em 2011, o relator da CPI, Cássio Soares, é líder de um bloco composto por 39 parlamentares de orientação independente — que não são alinhados à gestão de Zema, mas também não se definem como oposição.
Além de Cássio, João Vítor e Ulysses Gomes (PT), compõem a CPI os deputados Sávio Souza Cruz (MDB), Rafael Martins (PSD), Noraldino Júnior (PSC) e Roberto Andrade (Avante).