
Em conversa com médicos, o governador Ratinho Jr colocou à disposição apoio logístico da Casa Militar para transporte do medicamento e de pacientes
Edição Scriptum com Agência Estadual de Notícias
O governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), reforçou na terça-feira (3) seu apoio à pesquisa sobre a polilaminina, composto experimental brasileiro, derivado da laminina (proteína da placenta), desenvolvido para regenerar nervos após lesões na medula espinhal, atuando como um andaime que facilita o crescimento e reconexão neural. A substância é uma esperança para paraplégicos e tetraplégicos, embora esteja ainda em fase de pesquisa clínica e sem aprovação final da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso amplo.
O governador falou sobre o tema após receber para uma conversa médicos pesquisadores que conduziram a primeira aplicação do composto em Curitiba, no Hospital do Trabalhador. O paciente beneficiado foi João Luiz Miquelini, 70 anos e morador de Colombo, que sofreu uma queda em dezembro de 2025 de aproximadamente 3 metros de altura e fraturou a coluna, ficando sem movimentos abaixo da cintura. Na terça-feira, ele começou a escrever um novo capítulo de sua história ao ser o primeiro paciente a receber a polilaminina em Curitiba. No Paraná já foram realizadas outras sete aplicações da substância. No Brasil, foram 30.
Na conversa com Ratinho Junior, que teve também a participação virtual da pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, bióloga e professora doutora da UFRJ, e de Rogério Almeida, vice-presidente de Pesquisa Desenvolvimento e Inovação no Laboratório Cristália, que está produzindo o medicamento, a equipe responsável pelo procedimento falou sobre a técnica usada.
O médico neurocirurgião João Elias Ferreira El Sarraf, um dos quatro médicos capacitados no País para o procedimento, explicou: “A medicação é aplicada em cima da lesão medular, em centro cirúrgico, com sedação e anestesia local. Definimos o melhor ponto de aplicação. É como se fosse uma desconexão, tem dois pontos desconectados e a polilaminina agiria ‘unindo’ esses dois pontos”, relatou.
Apoio à pesquisa
Na conversa, Ratinho Junior colocou à disposição apoio logístico da Casa Militar para transporte do medicamento e de pacientes dentro da janela de 72 horas idealizada para pesquisa, e também disse que a Fundação Araucária pode auxiliar a expandir o treinamento de médicos aplicadores do composto.
“Colocamos toda a rede de saúde do Estado à disposição, da organização do transporte da polilaminina ao treinamento de outros médicos para estarem aptos a fazer a aplicação”, disse o governador. “É um medicamento que vai mudar a humanidade, que foi descoberto por uma brasileira que conduz o estudo com uma equipe médica composta por um paranaense”.
O médico pesquisador e CEO da Lamilamb, Mitter Mayer, detalhou a importância da operacionalização para que o tratamento seja aplicado dentro da janela estipulada, ou seja, até três dias após o trauma. “É um processo muito rápido e ágil. Assim que o paciente dá entrada no hospital, o médico responsável deve fazer a avaliação do quadro e se ele é elegível para o tratamento. Em seguida, protocolamos o caso na Anvisa e o medicamento precisa chegar até o local em até 72 horas”, explicou. “O apoio dos estados é muito importante na identificação, na logística e também no pós, com intensa fisioterapia”.
Para o secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto, esse avanço da ciência é importante para o tratamento de casos de lesões graves que levam a paraplegia. Ele também colocou o Hospital de Reabilitação à disposição para auxiliar pacientes do Paraná e até mesmo de outros estados. “Além dessa descoberta imensa, a fisioterapia depois é essencial para garantir a possibilidade de retomada dos movimentos, e temos estrutura e equipe prontas para isso”, disse.
“Sempre defendi e continuarei defendendo a ciência. A polilaminina é uma esperança para as pessoas vítimas de traumas graves. Os resultados são importantes e nós tivemos a oportunidade de fazer aqui no Hospital do Trabalhador, o primeiro caso feito na nossa Capital. Essa aplicação aqui no Hospital do Trabalhador é de extrema importância, em especial pela referência que ele é no atendimento ao trauma para a Grande Curitiba”, complementou.