
Robinson Faria: Há 70 campos de energia eólica em operação no RN
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) liberou a operação comercial de mais quatro usinas eólicas no Rio Grande do Norte. Os quatro empreendimentos ampliam a capacidade instalada de do Estado e o colocam o RN na condição de detentor da maior matriz eólica do Brasil e também da maior capacidade instalada.
Em reunião com o ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, discutiu a desoneração dos impostos estaduais e federais para a produção de energia eólica e a ampliação das linhas de transmissão. De acordo com governador, a conversa foi muito produtiva.
“O ministro deixou claro que o Governo Federal está corrigindo os rumos do planejamento para escoar a produção, porque entende que o Estado tem jazidas com constância e intensidade dos ventos, o que deixa o RN entre as melhores fontes eólicas do Brasil. Eles enxergam o nosso potencial e sabem que nós temos a maior capacidade instalada”, comentou.
Segundo a Agência Reguladora de Serviços Públicos (Arsep), órgão do Governo do Estado responsável pela fiscalização dos parques eólicos, o RN tem hoje 70 parques eólicos em operação, 31 em construção e 67 já com autorização para serem iniciados. Em 2015, a agência reguladora vai realizar 37 fiscalizações, que são divididas em dois tipos: Operações Rotineiras e de Expansão de Oferta. A primeira é executada em parques que já estão funcionando e a segunda é realizada em parques em fase de construção. A função da Arsep é assegurar que as obras sejam feitas dentro dos prazos e que obedeçam as normas técnicas de execução e funcionamento.
Para a diretora-presidente da Arsep, a engenheira Kátia Pinto, a fiscalização é fundamental para que o Estado continue avançando de forma eficiente na produção de energia limpa. “Ficamos honrados por nosso Estado ser autossuficiente na geração de energia, principalmente num momento como esse de crise energética. O papel da agência é importante porque controla a produção e a execução desses parques, verificando se o cronograma contratado com a Aneel durante o leilão está sendo cumprido e se a produção de energia limpa está acontecendo de forma correta para que a população seja beneficiada. É importante que o governo federal se preocupe com os leilões, mas também com as linhas de transmissão que levam a energia produzida aqui, para todo o Brasil” comenta.
De acordo com o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energias Renováveis (Cerne), a estimativa é que o setor no RN tenha recebido nos últimos 5 anos, de R$ 3 a 4 bilhões em investimentos. A expectativa, até 2018, é que a capacidade produtiva do Estado chegue a 5.006.063 de KW e esses números podem subir. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) cadastrou 521 projetos para um leilão A-3, a ser realizado no dia 24 de julho. O Rio Grande do Norte saiu na frente mais uma vez. Dos 521 projetos cadastrados, 132 são voltados para a produção de energia eólica. Um leilão A-3 é um tipo de processo onde os empreendimentos vencedores devem entrar em operação no prazo de três anos, a partir da assinatura do contrato.
A energia eólica é uma fonte de energia limpa. Para a construção de uma usina é necessária uma grande extensão de terra, pois as turbinas precisam ter uma distância entre si. Esse distanciamento evita que a perturbação causada no escoamento do vento atrapalhe a outra unidade. Não impossibilita, porém, que o espaço do parque possa ser utilizado para outras atividades. Em alguns casos as empresas ganhadoras dos leilões de energia simplesmente compram os terrenos onde pretendem instalar seus parques, enquanto em outros, os espaços são arrendados e os proprietários passam a receber pagamentos fixos pela produção de energia no local. O montante a ser recebido é calculado pelo percentual da receita que cada equipamento instalado gera.
O custo de produção da energia eólica é considerado alto em comparação a outras fontes, também tidas como ecologicamente corretas, mas em contrapartida é considerada a fonte de energia mais limpa do planeta. Em um período onde alternativas sustentáveis estão cada vez mais necessárias, a energia eólica se tornou um caminho na tentativa de preservar os recursos naturais e consumir de forma responsável. Além de ser uma nova opção ao modelo prioritariamente utilizado no Brasil de construção de hidrelétricas. Apesar de limpo, o uso do nosso potencial hidráulico causa mais impacto ambiental e está mais suscetível a crises, já que depende da quantidade de chuvas que sofre mais variações, que o nível dos ventos.
O Rio Grande do Norte entra nesse cenário com alguns privilégios naturais. Localizado, em uma “esquina do continente”, o Estado recebe em boa parte do seu território ventos regulares. Segundo o coordenador da Câmara Setorial de Gás, da Agência Reguladora de Serviços Públicos (Arsep), Ezequiel Rebouças, é importante que esses ventos não possuam variações bruscas em frequência e velocidade. “Como as condições climáticas no Rio Grande do Norte oferecem essa regularidade, temos um ambiente naturalmente vocacionado a esse tipo de atividade”, explica.
Além disso, o Estado vem trabalhando nos últimos sete anos e se tornou um destaque nacional. Entre 2009 e 2014, o Rio Grande do Norte conquistou o primeiro lugar nacional em novos leilões federais envolvendo fontes renováveis de energia. Nos últimos cinco anos, passou da condição de importador do recurso para provedor regional. A autossuficiência no setor representa investimentos e uma situação de tranquilidade energética, que facilita a atração de outras cadeias produtivas.
Até 2017, estima-se que a as atividades no setor eólico sejam responsáveis pela geração de 30 mil empregos diretos ou indiretos. Apesar de ser uma atividade, com uma mão de obra bastante restrita na operacionalização dos parques, durante a construção dos equipamentos o número de pessoas envolvidas é bastante superior e prioritariamente local. Atualmente o Estado já conta com capacitação mais técnica, como um curso de graduação em energias renováveis no campus do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) no polo de João Câmara, e cursos de pós-graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), no polo de Natal.
A nível nacional também vivemos um bom momento: hoje o Brasil ocupa o 11º lugar no ranking dos países com maior capacidade de geração eólica em todo o mundo, apesar de o setor ainda sofrer com a morosidade da implantação das linhas de transmissão, avanços tem acontecido. No ano passado, houve um aumento de 126,7% na capacidade instalada das usinas eólicas em operação no país.