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‘Violência contra mulheres fere a democracia’, afirma vereadora

Camila Rosa, do PSD de Aparecida de Goiânia, em Goiás, teve o microfone desligado pelo presidente da Câmara Municipal quando defendia maior participação feminina na política e direitos das minorias

16 de fev de 2022

A vereadora Camila Rosa conta que já se sentia perseguida e boicotada pelo presidente da Câmara antes do episódio

Redação: Scriptum

As agressões físicas e verbais praticadas por homens contra lideranças femininas representam não apenas uma ameaça à integridade das mulheres, mas um ataque à democracia. A afirmação é de Camila Rosa, vereadora do PSD em Aparecida de Goiânia e vítima no primeiro caso de violência política de gênero registrado em Goiás com base na Lei Federal 14.192/21. “A violência de gênero ocorre quando você se sente injustiçada e ignorada simplesmente por ser mulher”, explica a vereadora.

No último dia 2, em um episódio que ganhou repercussão nacional, Camila teve o microfone desligado por ordem do presidente da Câmara Municipal, André Fortaleza (MDB), durante uma discussão na sessão legislativa. Única mulher entre os 25 parlamentares da Casa, ela defendia a adoção de cotas para a ampliação da participação feminina na política e explicava uma postagem sobre o assunto publicada em suas redes sociais. Além de exercer seu primeiro mandato como vereadora, Camila é presidente do PSD em Aparecida de Goiânia, município de 601 mil habitantes da Região Metropolitana de Goiânia, o segundo mais populoso do Estado.

O texto divulgado na internet, com uma mensagem a favor da igualdade entre os gêneros e a defesa das minorias, não faz qualquer menção ao vereador. Mas foi o bastante para irritar Fortaleza, que considera a adoção de cotas um exemplo de “oportunismo”.

Bastante abalada, Camila saiu do plenário chorando e, após atendimento médico, registrou boletim de ocorrência no 1º Distrito Policial de Aparecida de Goiânia. “A violência não foi praticada somente contra mim, ele fez minha família sofrer. Poucas vezes vi meu pai chorar na vida e ele chorou por medo de que pudesse acontecer alguma coisa comigo. Minha filha de dez anos ficou com medo. O ato dele feriu também meus eleitores, feriu a democracia”, afirma Camila, de 36 anos.

Segundo a parlamentar, mesmo quando estava saindo do plenário, teve de ouvir ameaças de Fortaleza. “Quando eu passei, ele disse, fora do microfone: ‘Se prepare porque amanhã o show vai ser melhor ainda, você vai chorar o dobro. Vou desmascarar todos aqui e a senhora vai ser a primeira.’ Eu estava realmente abalada, com forte dor na nuca e a boca seca”, relembra a vereadora

Camila conta que já se sentia perseguida e boicotada pelo presidente da Câmara antes do episódio. “Há alguns dias a situação estava pesada. Ele não me convidava para os eventos e as reuniões. Tenho uma postura independente e isso incomoda muito”, destaca a parlamentar.

A vereadora ressalta, ainda, que não gosta de extremos no campo político. “O PSD é um partido de centro, que dialoga e valoriza muito as candidaturas femininas, que sempre dá voz às mulheres.”

Solidariedade

Em nota oficial, o PSD Mulher Nacional manifestou repúdio à violência sofrida por Camila. No texto, o núcleo feminino do partido pontua que “silenciar mulheres é um grave sintoma do machismo estrutural que atinge todos os lugares deste País”. Ainda conforme a nota, o choro da parlamentar “representa a indignação de milhares de mulheres silenciadas”.

O presidente do diretório do PSD em Goiás, Vilmar Rocha, condenou a violência de gênero e prestou solidariedade à vereadora em vídeo divulgado nas redes sociais. “A Camila Rosa é uma mulher de grande valor, que veio de baixo, é feirante. Hoje lidera um movimento importante de agricultura familiar e também luta pela emancipação da mulher. Ela foi vítima de um ato de autoritarismo, reagiu e contou com nosso total apoio.”

No vídeo, o dirigente lembra de outro caso de violência verbal praticado contra uma parlamentar do PSD no Estado, a vereadora Lucíula do Recanto, defensora da causa animal em Goiânia. Em agosto de 2021, durante um discurso em defesa da propriedade privada feito na tribuna da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Amauri Ribeiro (Patriota) falou que Lucíula “merecia um tiro na cara” por ter “invadido a casa de um cidadão” em uma ação contra maus-tratos a animais. O episódio citado por Amauri ocorreu cerca de três meses antes, quando a vereadora acompanhou uma ação da Guarda Metropolitana e da Agência Municipal de Meio Ambiente.

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