
Deputado Alexandre Serfiotis (RJ) – Foto: Cláudio Araújo
O deputado Alexandre Serfiotis, do PSD do Rio de Janeiro defendeu nesta terça-feira (6) que o Ministério da Saúde mantenha o fornecimento, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), do Avonex, medicamento utilizado para amenizar os efeitos colaterais da esclerose múltipla do subtipo RR (remitente e recorrente).
As comissões de Seguridade Social e Família (CSSF) e dos Direitos das Pessoas com Deficiência (CPD) da Câmara dos Deputados promoveram audiência conjunta para debater consulta pública da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) que analisa a possibilidade de exclusão do medicamento de alto custo das prateleiras do SUS.
Para Serfiotis, não há razão lógica para deixar de fornecer o remédio aos pacientes. “Pelo que sabemos, a exclusão desse medicamento foi solicitada por outro laboratório. Não podemos levar em consideração o interesse da indústria farmacológica. Sabemos que essa indústria regula o mercado, muitas vezes, por interesses comerciais e financeiros, mas nosso dever é garantir o acesso ao tratamento.”
André Matta, médico neurologista e representante do Comitê Brasileiro de Tratamento e Pesquisa em Esclerose Múltipla e Doenças Neuroimunológicas (BCTRIMS) também defendeu o uso da substância. “Acompanho 32 pacientes que fazem o uso do Avonex. É um medicamento muito superior aos demais, bem aceito pela maioria. Sua retirada do mercado implicaria em um problema ainda maior para quem necessita dele.”
Já Marco Aurélio Torrenteguy, representante dos Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME), disse que “a exclusão da droga, que é efetiva e segura, seria um passo para trás no combate à doença”.
Números – Atualmente, cerca de 30 mil brasileiros são portadores de esclerose múltipla. Desses, três mil fazem o uso do Avonex. Uma caixa com quatro injeções – que dura apenas um mês – pode custar até R$ 6 mil.
A esclerose múltipla se manifesta no homem e na mulher entre os 20 e 40 anos. Afeta o cérebro e a medula espinhal (sistema nervoso central), comprometendo a capacidade do ser humano de andar ou até falar claramente em casos mais avançados. Em geral, pacientes com esclerose múltipla perdem volume cerebral até cinco vezes mais rápido que o normal.