01 de abr de 2026
· Fábio Baccheretti, Mateus Simões

Estratégia inclui ampliação de leitos, reforço de equipes e intensificação da vacinação em todo o Estado.
Edição Scriptum com Agência Minas Gerais
A gestão do governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), está se antecipando ao possível aumento dos casos de doenças respiratórias, comuns no inverno, e vai reforçar já nas próximas semanas o atendimento a pacientes que apresentem sintomas, principalmente crianças. A estratégia para isso foi apresentada na quarta-feira (1) em Belo Horizonte e inclui ampliação de leitos, reforço de equipes e intensificação da vacinação em todo o Estado.
Diante da previsão de aumento mais intenso dos casos nas próximas semanas, o secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, adiantou que “nosso foco é garantir atendimento para quem mais precisa, especialmente os casos graves. O paciente que nos preocupa é aquele com falta de ar, que precisa de cuidado especializado. Para esses, a rede precisa estar pronta”, afirmou.
No Hospital Infantil João Paulo II (HIJPII), referência pediátrica em Belo Horizonte, serão sete novos leitos de UTI. “Esses leitos já entram em operação em poucas horas. Assim que sairmos daqui, eles já estarão disponíveis para regulação e internação”, explicou o secretário.
Também serão abertos 19 leitos de enfermaria, dois consultórios para atendimento de urgência, oito leitos na Sala de Decisão Clínica e mais cinco pontos na sala de medicação.
A unidade também recebeu reforço na equipe, com a chegada de 150 novos profissionais, entre eles 34 médicos, 10 enfermeiros, 69 técnicos de enfermagem e 18 fisioterapeutas respiratórios.
O aumento da demanda ocorre tradicionalmente entre março e maio, período em que o hospital registra crescimento de até 47% nos atendimentos de pronto-socorro e 40% nas internações.
Interior preparado
O crescimento dos casos de doenças respiratórias já é observado em diversas regiões de Minas, com destaque para o Norte e o Leste. A ampliação da rede hospitalar no interior tem contribuído para reduzir a pressão sobre Belo Horizonte.
“Hoje a capital não recebe mais aquela pressão de antes, porque o interior tem mais leitos de alta complexidade. Tivemos um crescimento robusto de CTI em todo o estado”, afirmou o secretário.
Ele citou avanços em regiões como Governador Valadares e Caratinga, além da previsão de abertura de novos leitos no Hospital Regional de Teófilo Otoni entre maio e junho. “Todos vamos viver esse momento de maior pressão por doenças respiratórias, como acontece todo ano. Mas hoje temos uma estrutura muito mais preparada e não vamos passar por situações que já vimos no passado”, completou.
Vacinação ampliada
A vacinação segue como a principal estratégia para reduzir casos graves e internações. Minas já distribuiu cerca de 1,5 milhão de doses contra a gripe para todos os municípios. O Estado também prepara novas remessas e mantém a mobilização para ampliar a cobertura, incluindo o Dia D de vacinação, marcado para 11 de abril. “Vacina boa não é na geladeira do posto, vacina boa é no braço. Não adianta correr atrás do prejuízo depois”, afirmou Baccheretti.
Além da influenza, o calendário inclui imunizantes importantes para prevenção de doenças respiratórias, como covid-19, pneumocócica e Haemophilus influenzae tipo b (Hib).
Neste ano, também foram incorporadas novas estratégias, como a vacinação de gestantes contra o vírus sincicial respiratório e o uso do anticorpo monoclonal nirsevimabe para crianças com maior risco.
Para sustentar a operação durante o período sazonal, o Governo de Minas investe R$ 15 milhões na ampliação da assistência desses hospitais, incluindo a Maternidade Odete Valadares. “Esse recurso é para garantir equipe, insumos e medicamentos. Com mais leitos, temos mais consumo e precisamos manter a qualidade do atendimento”, explicou Baccheretti.
Até o momento, Minas Gerais registrou 6.189 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) hospitalizada, sendo 323 por covid-19, 250 por influenza e 120 por vírus sincicial respiratório.