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Nos sindicatos, as mulheres já têm espaço reservado

Cleonice Souza, secretária Nacional de Saúde e Segurança do Trabalho da UGT, conta que, no movimento sindical, convenções internacionais garantem a participação feminina nos cargos de direção e nas tomadas de decisão

01 de jun de 2015

Enquanto as brasileiras ainda batalham por uma maior participação na política e na direção das empresas, nas entidades sindicais no mínimo 30% dos cargos da diretoria já são ocupados por mulheres. Na Câmara Federal e na direção de grandes empresas, as mulheres ocupam uma porcentagem bem menor: 9,9% e 6,3%, respectivamente. Diante desse quadro, em recente debate realizado no Espaço Democrático, representantes de entidades que atuam em defesa da causa da mulher defenderam a criação de cotas no parlamento, reservando um determinado número de cargos eletivos para as representantes femininas.

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Isso já é realidade nos sindicatos trabalhistas. As cotas para mulheres nos sindicatos foram criadas por entidades internacionais, como a Confederação Sindical Internacional (CSI) e a Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas, que, além da aplicação da cota mínima de 30% na direção, exigem que suas filiadas também garantam a paridade de gênero em reuniões e eventos ligados ao setor. As confederações sindicais banem de suas convenções as entidades filiadas que não cumprirem o estatuto.

Defensora de cotas para mulheres na política, a coordenadora nacional do PSD Mulher, Alda Marco Antonio, elogia o atual panorama dos movimentos sindicais. “O setor sindical brasileiro está de parabéns, pois é a área em que a participação feminina está mais avançada, e serve como exemplo de como as cotas são essenciais nessa luta por mais igualdade. Precisamos de cotas na política e nas diretorias das empresas para transformarmos o Brasil mais justo para as mulheres ”, elogia Alda.

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Por mais avançado que o setor sindical esteja em comparação com a política e o setor empresarial, o processo em busca de mais igualdade foi longo e árduo, segundo a atual secretária Nacional de Saúde e Segurança do Trabalho da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Cleonice Souza, que acompanhou de perto a trajetória feminina nos sindicatos brasileiros.

Desde de que começou a trabalhar, em 1975, Cleonice participa de reuniões de sindicatos paulistas. Em seus empregos, que foram da área industrial para a comercial, era notável como poucas mulheres participavam das atividades sindicais e praticamente não havia lideranças femininas. Ela conta que, em reuniões e cursos dos sindicatos, adquiriu conhecimento para poder se ajudar e ajudar outras pessoas. “Sempre busquei melhorias em meu ambiente de trabalho através dos sindicatos. Meu foco sempre foi a área da saúde e de segurança do trabalho, e nem sequer sabia que hoje esse seria um ponto fundamental em todos os sindicatos”, conta.

Em 1983, ela filiou-se ao sindicato dos comerciários. Em 1994, candidatou-se como suplente em uma chapa que foi eleita. Desde então, sempre ocupou cargos na diretoria de sindicatos e centrais. Porém, sua ascensão à diretoria, diz ela, tem grande contribuição da exigência de organizações internacionais, como a CSI, que cobram dos movimentos sindicais a participação de mulheres. “Só chegamos a 30% na diretoria executiva por conta das cotas geradas pela pressão de movimentos internacionais, porque, infelizmente, ainda existe muita gente que pensa de modo retrógrado e impediria esse avanço. Graças às cotas, muitas mulheres têm mostrado que são tão importantes quanto os homens, e como a nossa luta é fortalecida com a participação feminina”, reforça.

Cleonice considera que, apesar de a participação feminina hoje em dia ser mais forte, muitas dificuldades ainda precisam ser superadas. “Várias mulheres não podem frequentar as reuniões e os cursos de formação por falta de apoio da família, do pai, do filho, que acham que à noite, após o trabalho, elas devem cumprir somente funções do lar. Ainda temos muito a lutar. Queremos a igualdade de oportunidade, salários iguais, continuar dando cursos para especializar as mulheres, aumentar cada vez mais o número de conselhos municipais e estaduais, de reuniões, e criar espaços para politizar as mulheres”, ressalta.

Apesar dos problemas enfrentados, ela é otimista sobre o futuro. “Eu visualizo um futuro de muito sucesso, com cada vez mais mulheres assumindo sem tanta dificuldade os lugares pelos quais elas batalham para ocupar. Infelizmente, ainda, os presidentes de centrais são apenas homens. Estamos trabalhando para que esse panorama mude. Temos muitas mulheres presidentes de sindicato, por que não de uma central sindical?”.

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