12 de maio de 2026
· Eduardo Leite, Eduardo Lorea, Nova York, Rafael Prikladnicki, Rio Grande do Sul

Nova política de atração de investimentos do governador Eduardo Leite irão substituir incentivos fiscais, que serão gradualmente retirados com o avanço da reforma tributária.
Edição Scriptum com Governo do Rio Grande do Sul
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), anunciou em Nova York, na manhã de terça-feira (12), que seu Estado vai estruturar um fundo estratégico para atrair investimentos no desenvolvimento da economia gaúcha. A iniciativa foi apresentada durante o Public & Private Capital Forum for Economic Development, na sede da Deloitte, que integrou a programação da missão internacional liderada pelo governo gaúcho durante a Brazilian Week 2026.
O objetivo da gestão de Eduardo Leite é colocar em prática uma nova política de atração de investimentos que substitua os incentivos fiscais, que serão gradualmente retirados com o avanço da reforma tributária. O fundo vai ser estruturado pela InvestRS, a agência de fomento criada no ano passado pelo governo, e deve mobilizar cerca de R$ 5 bilhões em recursos públicos.
De acordo com o governador, “o diferencial para os Estados não se dará mais na lógica dos incentivos fiscais, mas sim na criação de instrumentos financeiros a juros interessantes e que realmente podem ser acessados pelas empresas”.
O vice-presidente da InvestRS, Eduardo Lorea, explica que a ideia é usar capital público como âncora para alavancar até R$ 20 bilhões de dinheiro privado em projetos estratégicos, em setores como semicondutores, economia digital, energia renovável, biocombustíveis, maquinário agrícola, turismo e saúde.
Na etapa inicial, a meta em desenvolvimento prevê estruturação de até US$ 5 bilhões, sendo cerca de US$ 1 bilhão em aportes públicos e o restante de capital privado. O projeto será desenvolvido em parceria entre Invest RS, Deloitte, Secretaria da Fazenda (Sefaz), Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e Badesul.
Guerra fiscal
A iniciativa surge em meio à transição provocada pela reforma tributária, que reduzirá progressivamente a capacidade dos Estados de utilizarem incentivos fiscais como principal ferramenta de atração de investimentos. Na prática, a mudança representa o enfraquecimento gradual da chamada “guerra fiscal” – modelo em que os Estados competiam entre si oferecendo benefícios tributários para atrair empresas e novos empreendimentos.
Com esse cenário, os Estados precisarão encontrar novas formas de atração, já que deixarão de contar com os incentivos fiscais como principal ferramenta de competitividade. A estratégia apresentada pelo governo gaúcho aposta justamente na criação antecipada desses novos instrumentos, utilizando fundos de investimento e mecanismos financeiros para apoiar projetos estratégicos e estimular a participação do setor privado no desenvolvimento econômico. A avaliação do governo é de que o Rio Grande do Sul larga na frente ao começar desde já a estruturar o novo modelo.
Durante o evento, Invest RS e Deloitte assinaram contrato para realização dos estudos técnicos e projetos necessários à formatação do fundo estratégico. Também foram formalizadas assinaturas relacionadas aos fundos-piloto que integrarão a nova estratégia de desenvolvimento econômico do Estado. Entre elas, estão a manifestação de interesse para criação do Fundo de Investimento em Participações (FIP) Deep Techs – envolvendo BRDE, Badesul e Caixa de Administração da Dívida Pública Estadual (Cadip) –, além de iniciativas da Sefaz voltadas ao mercado de capitais e à resiliência climática.
Estratégia ampla
“O debate de hoje mostrou algo muito claro: os instrumentos do passado já não respondem, sozinhos, aos desafios do futuro”, afirmou Eduardo Leite durante sua fala no encerramento do fórum. “Nós estamos aqui de maneira ousada. O Rio Grande do Sul não pode ficar para trás nesse novo cenário criado pela reforma tributária”, disse.
O governador destacou que a iniciativa integra uma estratégia mais ampla de desenvolvimento econômico do Estado, baseada em capital humano, inovação, infraestrutura, energias renováveis e melhoria do ambiente de negócios.
“Não há uma bala de prata para determinar o desenvolvimento econômico. É a combinação de fatores que cria um ambiente atrativo para investimentos. E agora estamos acrescentando mais um instrumento importante, associado a todos esses outros componentes, para tornar o Rio Grande do Sul um local diferenciado para investimentos privados”, explicou o governador.
Leite também ressaltou que o fundo estratégico será conectado ao Plano de Desenvolvimento Econômico, Inclusivo e Sustentável do Estado e terá critérios técnicos de governança para direcionamento dos investimentos. “O fundo vai vir profundamente atrelado ao plano de desenvolvimento para financiar empreendimentos relacionados às nossas prioridades estratégicas e realmente alavancar o nosso processo de desenvolvimento”, afirmou.
Segundo o presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki, o projeto representa uma mudança estrutural na forma como o Estado pretende estimular investimentos e desenvolvimento econômico nos próximos anos. “Alinhado às melhores práticas, no médio e no longo prazo, é uma visão estratégica que estamos apresentando para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul”, garantiu.