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SAÚDE

Curitiba (PR) testa nova tecnologia contra a dengue

Inofensiva às pessoas e ao meio ambiente, a bactéria Wolbachia impede que o mosquito Aedes aegypti transmita a doença

14 de jul de 2026

População do Sítio Cercado recebe orientações sobre a tecnologia Wolbachia antes da liberação dos Wolbitos

Edição Scriptum com Prefeitura de Curitiba

A gestão do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), iniciou na sexta-feira (10) um amplo trabalho de orientação dos moradores, comerciantes e estudantes do bairro Sítio Cercado para a introdução do Método Wolbachia, que combate a dengue, zika e chikungunya. A mobilização é uma etapa essencial para o sucesso da estratégia, que prevê o início da liberação dos chamados wolbitos — mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia — no fim deste mês. Inofensiva às pessoas e ao meio ambiente, a bactéria impede que o mosquito transmita os vírus dessas doenças. Os wolbitos liberados acasalam com os Aedes aegypti locais, repassando a bactéria para os descendentes. A implantação do método na capital do Estado do Paraná é resultado de uma cooperação técnica entre a prefeitura e a empresa curitibana Wolbito do Brasil.

De acordo com a secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, o método é mais um reforço às ações de enfrentamento ao mosquito adotadas pelo município desde 2024. “Conseguimos reduzir em 92% os casos de dengue em 2025. Neste ano já registramos uma redução de 94% em relação ao período anterior. Mas, diante da previsão de influência do fenômeno El Niño, que pode provocar muitas chuvas e favorecer o aumento da circulação da doença, estamos preparando Curitiba para enfrentar o cenário com mais inovação, tecnologia e prevenção.”

Aplicado em cidades brasileiras e em outros 14 países, o Método Wolbachia já apresentou resultados expressivos. Em Niterói, município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a tecnologia contribuiu para a redução de até 89% dos casos de dengue, consolidando-se como uma importante ferramenta complementar às ações tradicionais de combate ao mosquito.

Metodologia

O coordenador de Saúde Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Juliano Ribeiro, responsável pela condução técnico-científica do programa no Sítio Cercado, explica que a liberação dos mosquitos com Wolbachia utilizará duas estratégias: uma por meio de ovos e outra com mosquitos adultos. “Essa metodologia permite comparar, em condições reais e dentro de um mesmo território, o desempenho das duas formas de implantação, produzindo evidências que poderão orientar futuras expansões do programa. A duração estimada desta fase é de 26 semanas, contadas a partir do início das liberações.”

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